terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Luiz Vilela, no dia do seu aniversário

HOMENAGEM AO AMIGO LUIZ VILELA

Lidiane Ribeiro
Escritora, Ficcionista[i]

Dia 31 de dezembro é um dia especial, pois é o dia em que se comemora o nascimento de um mestre da literatura: Luiz Vilela. Desde a infância, esteve rodeado de livros, pois era caçula e na sua família todos liam e tinham sua biblioteca particular. Aos 13 anos, começou a escrever. Depois, formou-se em Filosofia, em Belo Horizonte. Aos 24 anos estreou com os contos de Tremor de Terra, livro que ganhou, em Brasília, em 1967, o Prêmio Nacional de Ficção. Foi jornalista em São Paulo e viveu nos Estados Unidos e na Espanha. Também recebeu o Prêmio Jabuti, em 1974, pela coletânea de contos O Fim de Tudo (1973). E em 2012, pelo romance Perdição (2011), recebeu o Prêmio Literário Nacional PEN Clube do Brasil. Narrativas suas já foram adaptadas para o teatro, o cinema e a televisão, e traduzidos para diversas línguas.
Por seus quinze livros já lançados, pelos outros já anunciados, pelos prêmios recebidos, pela qualidade de sua obra, pela disponibilidade com que ensina a quem, como eu, está começando, eu o chamo de mestre e comemoro esse 31 de dezembro, data do aniversário de nascimento de Luiz Vilela. Hoje é dia, pois, de brindar e festejar sua saúde, comemorar com alegria e agradecer sua amizade e suas obras.
Faço meu agradecimento falando um pouco de algumas coisas que ele me ensinou e um pouco de seus livros. É meu jeito de agradecer ao amigo a quem chamo, simplesmente, e carinhosamente, de Vilela.
Assim que o conheci e falei a ele da minha vontade de me tornar escritora, ele me falou: “leia muito, quanto mais você ler, mais vai aprimorar seus conhecimentos”. Segui o conselho, começando, claro, pelos livros dele, todos disponíveis na Biblioteca Municipal de Ituiutaba. Fiquei fascinada com o conteúdo dos livros, as personagens, os narradores, o enredo — todas as suas narrativas, contos, novelas e romances, me envolviam, me entusiasmavam, me encantavam.
Tendo lido esses livros, foi lançado aqui em Ituiutaba, agora em dezembro de 2013, o livro de contos Você Verá. Foi no dia 13 de dezembro, uma sexta-feira, noite inesquecível, com centenas de amigos e de admiradores, com sessão de autógrafos que seguiu por horas. Participei passo a passo desse momento e posso testemunhar: foi uma noite de muitas e fortes emoções, para mim, que acompanhava, e também para o Luiz Vilela.
Você verá é um livro que prende o leitor a cada novo conto. É de leitura fácil, de palavras transparentes, que ao mesmo tempo em que não deixam dúvidas quanto ao que significam, aprofundam sentidos e sentimentos. Cada leitor interpreta as narrativas de Vilela a seu modo, e retorna e volta a ler e a reler cada um de seus contos, novelas ou romances sem se cansar. Ao apresentar minha leitura, quero que minhas palavras sejam de convite para que cada um que me leia se sinta interessado em também descobrir os sortilégios da obra do Luiz Vilela.
O primeiro conto do Você Verá é o “Zoiuda”: “Foi numa noite que ele conheceu Zoiuda. Foi numa noite”. E Zoiuda se torna presença constante, até que um dia se vai e deixa saudade...
“Era aqui” é o segundo conto. Um casal, uma praça, em uma cidade pequena, do interior. Lembranças. Imagens do tempo de criança. O passado se presentifica.
O terceiro conto tem por título “O que cada um disse”. Retrata diferentes opiniões sobre uma personagem — e sua tragédia — que surge no conto apenas pela fala de terceiros: conhecidos distantes ou próximos, freiras, amigos, colegas da faculdade ou do trabalho, um especialista em psicologia em entrevista ao jornal.
O quarto conto, “Céu estrelado”, mostra a noite de ano novo, com suas expectativas transformadas em obrigação — e aí, cumprir ou não cumprir tais obrigações?
E “Todos os anjos”, quinto conto da coletânea, o diálogo entre um pai e o filho mostra a curiosidade infantil e a capacidade inventiva do adulto.
Um dos contos mais tocantes do volume é “O bem”, o sexto e mais longo conto do livro, exatamente na metade da coletânea. Mostra dificuldade na rotina diária, na qual um momento simples se torna importante com o passar dos dias.
“Quando fiz sete anos” é o sétimo conto. Um criança ganha do avô um presente quebrado. E mais não digo, para não estragar as surpresas do leitor com a narrativa.
O oitavo conto é “Corpos”, no qual imagens e cenas tristes, trágicas, povoam o diálogo de pessoas insensíveis aos acontecimentos que comentam.
“Noite feliz”, é o nono conto. Imaginação? Solidão? Sentimentos confusos, misturados? Em uma noite de Natal, uma jovem aguarda o planejado e esperado encontro familiar.
O décimo conto é “Mataram o rapaz do posto”. A notícia de um assassinato indicia o fim de um bairro tranquilo, de uma rua pacata... será que ainda há rua pacata em bairro tranquilo no Brasil?
O conto “Você verá”, o décimo primeiro da coletânea, encerra o volume, com os sonhos de todos nós de um país que realize os sonhos de prosperidade sonhados quando da construção de Brasília.
Com esse percurso encerro essa homenagem a Luiz Vilela, o mestre e o amigo, parabenizando-o por fazer parte da vida de tantas pessoas, como escritor, como personalidade ituiutabana, como alguém que se doa para todos, na obra e na vida, na ficção e na realidade, aos familiares e aos amigos, e até aos somente conhecidos, sejam jovens, sejam experientes.
Para contar sua história, Luiz Vilela, uma biografia de quinhentas páginas seria pouco. Minha homenagem singela, passe o lugar-comum, pois que a vida é feita de lugares-comuns, não é mesmo?, representa algumas linhas dessa biografia aqui imaginada, aqui sugerida. Agradeço-o por ser o exemplo que é, por ser amigo e ser professor, ser companheiro nas letras e pelas letras, a cada amanhecer, me ensinar algo. Parabéns pelo novo livro, o fascinante Você verá, e pelos outros, que virão. Parabéns pelo aniversário. Continue escrevendo e nos engrandecendo com suas obras e com seu jeito simples, humilde, que muito nos ensina.

Lidiane, no lançamento do Você Verá em Ituiutaba, MG, no dia 13 de dezembro de 2013


[i] Lidiane Ribeiro nasceu em 1981 em Ituiutaba, MG. Passou a infância na região rural onde nasceu. Publicou até o momento seis livros: uma biografia, dois de genealogia, com depoimentos de diversos familiares, e três de ficção. Contatos: https://www.facebook.com/people/Lidiane-Ribeiro-Borges/100004451824828.

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