terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Carandá, 4

Carandá - Revista do Curso de Letras do Câmpus do Pantanal (CPAN) da UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em seu número 4, de novembro de 2011, em um Dossiê sobre o microconto, traz artigo que analisa um conto de Luiz Vilela para estudar a transição entre o conto brasileiro do final do século XX e a forma "microconto" que atualmente ocupa as redes sociais da internet. Veja o estudo do conto "As formigas", de Luiz Vilela, o Dossiê sobre o microconto e os demais artigos, clicando nos links abaixo. Após a imagem e os links, confira o sumário da revista.

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SUMÁRIO


RESENHA


Um percurso essencial: pré-requisitos e obstáculos na
formação do pesquisador em literatura
Cícera Rosa Segredo Yamamoto
Fabian Castilho Cossio


ARTIGOS

A ucronia enquanto narrativa histórica
Rogério Bianchi de Araújo

Ut Pictura Poesis, de Horácio: por uma arqueologia da comparação entre as artes
Neurivaldo Campos Pedroso Junior

Literatura escrita indígena: do mito à história ou da história ao mito?
Érika Bergamasco Guesse

Assimilação e influência na literatura latino-americana: a “devoração” da cultura européia
Geovanna Marcela da Silva Guimarães

Beckett leitor de Proust: da crítica à criação
Gleydson André da Silva Ferreira

A Dama do Lotação: um caso de amor, infidelidade e morte
Andréa Beraldo Borde

O narrador viajante de Garrett
Alex Alves Fogal

Texto Literário e Contexto Social: análise do Poema
“José”, de Carlos Drummond de Andrade
Dirce Pereira Lelis

Walt Whitman, Emily Dickinson e a Guerra Civil Americana
Natalia Helena Wiechmann

O Realismo na Peça Le Demi-Monde  (1855), de Alexandre Dumas Filho
Silvia Pereira Santos

Realismo e realidade: algumas proposições de Eça de Queirós
Giuliano Lellis Ito Santos

Lima Barreto: crítico da vacuidade da elite intelectual
europeia e do despreparo das elites brasileiras
Ione Eler E Herler
Rosemary Sousa Cáfaro
Rauer Ribeiro Rodrigues

Mudança  e  institucionalização:  o  lugar  do  narrador  no  espanto dissimulado e burocratizado em João do Rio e Dalton Trevisan
Sandro Roberto Maio

O Quarto Fechado e a Mente Desnuda: desvendando a Narrativa
Cristiane Barbosa de Lira


A variação linguística nos manuais didáticos de português
Jeferson Carlos Cordeiro de Brito

A dínâmica lexical da linguagem jornalístico-política em textos escritos em língua portuguesa contemporânea na primeira década do Século XXI
Pedro Antonio Gomes De Melo



       LITER’ARTES


Poesia

Trilogia das Verdades:
Doxa
Minas
As Horas

Rogério Lobo Sáber




DOSSIÊ:

O MICROCONTO

Luciene Lemos de Campos
(Org.)


Contistas, Microcontistas e Críticos — Retratos
Alex Melo Diniz

Apresentação — Dossiê: o microconto
Luciene Lemos de Campos

Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século
Marcelino Freire — Retrato
Alex Melo Diniz

Apontamentos sobre o microconto
Rauer Ribeiro Rodrigues

“Epitáfio”
Rauer Ribeiro Rodrigues — Retrato
Alex Melo Diniz

Uma  introdução  historiográfica  ao estudo do microconto brasileiro
Fabrina Martinez de Souza
Rauer Ribeiro Rodrigues

A crítica corre atrás do seu objeto
Heloísa Buarque de Hollanda – Retrato
Alex Melo Diniz

O artista e o meio
Antonio Candido — Retrato
Alex Melo Diniz

Intensidade, Brevidade e Coalescência: das
vertentes do conto, o microconto
Waleska Rodrigues de Matos Oliveira Martins

“Lacraia”
Manoel de Barros – Retrato
Alex Melo Diniz

Biobibliografia (após o conto “As formigas”)
Luiz Vilela — Retrato
Alex Melo Diniz

“Aula de canto”
Katherine Mansfield — Retrato
Alex Melo Diniz

“Angústia”
Anton Thékhov — Retrato
Alex Melo Diniz

Entre frinchas, a poética do microconto brasileiro
Luciene Lemos de Campos

O soturno
Edgar Allan Poe — Retrato
Alex Melo Diniz

Silente, desesperada e agônica
Virginia Woolf — Retrato
Alex Melo Diniz

“Amor”
Manoel de Barros — Retrato
Alex Melo Diniz

Marçal Aquino
Retrato
Alex Melo Diniz

Teses do Conto
Ricardo Piglia — Retrato
Alex Melo Diniz

Microcontos (seleção com 33 narrativas)
Rauer [Rauer Ribeiro Rodrigues]

Ivana Arruda Leite
Retrato
Alex Melo Diniz



SERVIÇO


CarandáChamada e Normas Para Colaborações

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PERDIÇÃO: Resenha - 9

O MESTRE DOS DIÁLOGOS

Ronaldo Cagiano


          Desde que ele estreou na literatura no final dos anos 60, com “Tremor de Terra” (vencedor do Prêmio Nacional de Ficção), a prosa de Luiz Vilela destaca-se por duas características fundamentais: o resgate das histórias comuns, que transcorre numa atmosfera narrativa que busca a simplicidade e a clareza, sem perder a densidade; e a contenção formal, particularizada pelo do diálogo, que poucos como ele conseguem manusear sem cair na obviedade, na simplificação ou na fadiga.
       Em “Perdição” (Record, 400 págs.), que marca seu retorno triunfal ao romance, esses aspectos tornam-se ainda mais evidentes, porque trabalhados com mais rigor e estilo, e adensam o enredo. A trama se passa numa fictícia Flor do Campo, microcosmo do interior mineiro, a partir do qual descortina-se um cenário de mazelas e conflitos.
         Leonardo — Leo — é o personagem principal, âncora de uma bem-humorada história sobre os descaminhos de um jovem perdido e a inviabilidade da vida interiorana. Aliás, o humor em Vilela é a crítica e a reflexão em estado de sutileza e refinamento e funcionam em todo o conjunto como uma espécie de amálgama, equilibrando  forma e conteúdo.
         Pelas mãos de Ramon, jornalista de um pequeno jornal local, seu amigo de infância e narrador da história, conhecemos o percurso, às vezes sem sal, às vezes atilado, de um pescador, que vende os peixes na feira. Entediado com a vida que leva e com a falta de perspectiva de sua atividade, repentinamente afetada pela chegada da empresa de Disk-Peixe, que veio explorar o ramo na cidade, ele decide tentar outra sorte. Só que sua esperança vai bater em outras águas, seduzido por um pregador de uma nova igreja, cuja cantilena o seduz a ir para o Rio com a missão de salvar do pecado os homens, a partir do que se traveste no Pastor Pedro, numa alusão ao pescador de almas da Bíblia.
          Ao entrar num mundo completamente desconhecido, atraído pela promessa de vida nova e de salvação, na verdade Leo (Pastor Pedro) encontra a própria perdição ao perceber que foi manipulado pelo vezo maniqueísta e comercial de um tal Mister Jones, figura que muito bem metaforiza essa onda protestante avassaladora e hipócrita que vem tomando conta do nosso país com seu impune estelionato espiritual.
Leo, como milhões de fieis que acabam caindo no conto do vigário das pregações massificantes e histriônicas, acaba migrando para esse despudorado mercado da fé. Hipnotizado por uma promessa que não se realiza, a engrenagem o aprisiona e ele afunda cada vez mais nesse terreno pantanoso, babélico e ilusório. Por fim percebe a canoa furada em que se meteu, sendo forçado a abandonar aquela máscara e a retornar à sua terra natal, voltando à vidinha sem ênfase de sempre e enfrentando o julgamento e a execração dos que o viram partir.
Durante toda a história, Vilela desloca sua narrativa para outros pequenos focos, ao apresentar fatos e ocorrências que mobilizam a vida do pequeno lugar, mas que têm, no fundo, a função de revelar esse caldeirão de tipos e situações, muitas vezes bizarras, expondo todo um universo povoado pelas crendices, pelo misticismo, pela politicagem e pelo vazio da falta de horizontes.
         Em Perdição está em jogo essa luta entre o bem e o mal, entre a mentira e as falsas verdades das instituições, entre o sagrado e o profano das relações, bem como a guerra entre a carne e o espírito, algo que vem sendo apropriado ─ indevidamente e com todo o fanatismo e fervor farisaico  ─ pelas seitas protestantes que procriam por aí, principalmente com a exposição frequente de falsos milagres na tevê, o que na obra de Vilela é sutilmente denunciado, quando a história do acidente da filha de Leo vem à tona e mostra a incapacidade da fé e da religião de curá-la. Não há graça possível, só a desgraça real no mundo de verdades e caminhos perecíveis.
Vale ressaltar a força dos diálogos em toda a obra vileliana e que nesse caudaloso romance funcionam como um grande rio por onde escoam as perplexidades, as dúvidas, as angústias e as críticas dos personagens. No espaço das conversas corriqueiras, alimentam o dia a dia dessa gente, verdadeiras pérolas garimpadas na prosa dos observadores da vida quotidiana, discutem-se valores e inquietações, tudo carregado de uma ironia ferina, compondo um painel psicológico, moral e profundamente humano de Flor do Campo.
No romance, personagens secundários — como Gislaine, a mulher de Leo, Dona Nenzinha, a dona da pensão, e Mosquito, vendedor de pimentas — constituem um caleidoscópio de hipocrisia, pequenez, preconceito e cinismo de uma sociedadezinha refratária e sem rumo. E a pescaria simboliza o mergulho de Leo em águas profundas, nas quais ele enfrentará a escuridão e o lodo e conhecerá uma outra verdade – a do engodo das crenças – que verdadeiramente o libertará, trazendo-o de novo à tona, à claridade de suas raízes, ainda que doloroso o retorno, sem a pretendida salvação ou redenção.
         Ao tocar em temas tão profundos que habitam a alma e a consciência das pessoas, mas encontradiços em qualquer lugar do mundo, Vilela aponta para o universalismo de sua prosa, sem necessidade de contorcionismos de linguagem nem afetações estilísticas. O que é essencial e profundo na condição humana é o ponto central em toda a obra do autor, e em “Perdição” é captado com maior liberdade e tensão crítica. Vilela expõe um senso agudo de objetividade e clareza, calcado na sua experiência com a cultura oral, com o imaginário rural e com a coloquialidade, cujas verdades e sentimentos não requerem nenhuma invencionice formal ou técnica, tão somente a reconstrução da realidade a partir de sua atmosfera mais elementar, para o que a linguagem concorre com sua carga de realismo e espontaneidade e a que, o diálogo, repita-se, como forma de recontar esse mundo, empresta autenticidade, leveza, crueldade e poesia.
         Vilela é um desses estuários que formam o oceano de uma grande literatura. Assim como um Graciliano Ramos e um Tchecov, sua ficção é virtuosa, porque a palavra não é usada para enfeite, mas para comunicar, dizendo sempre mais com o mínimo de recursos. E no bojo de seu projeto criativo, que incorpora uma visão estética da arte e do homem, sua literatura tem um compromisso ético com a verdade e com os destinos do mundo.

                                                                                            Ronaldo Cagiano é escritor e crítico literário.


Este texto foi publicado no escritablog (http://escritablog.blogspot.com/search/label/Luiz%20Vilela), tendo antes saído no Jornal Opção (http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/um-escritor-sem-subterfugios), de Goiânia. Posteriormente, foi publicado na Macondo Revista Literária( ver em http://pt.calameo.com/read/000678515d3288829b688). Opção, aliás, com crédito equivocado à "veja.abril.com.br", reproduz foto que pertence aos arquivos do GPLV, e que foi feita pela jornalista Pauliane Amaral. Eis a foto, que aqui reproduzimos sem cortes: 
                                             Grupo de Pesquisa Luiz Vilela / Pauliane Amaral
Luiz Vilela no encerramento da 4ª Semana Luiz Vilela, em Ituiutaba (MG), maio/2011.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"Os novos", por Milton Ribeiro

Eis um depoimento publicado em 2010 em um blog, depoimento dos mais interessantes:


Os Novos, romance de Luiz Vilela, foi comprado num balaio da  Feira do Livro do ano passado. O exemplar que levei já tinha até tomado banho, suas folhas têm aquelas ondas que denunciam muita água. Deve ter custado uns R$ 2,00, mas pela diversão vale muito mais. Pode-se dizer que a história dos amigos candidatos a escritores é datada, pode-se garantir que é obra de um Vilela iniciante, pode-se reclamar que os caras não param de beber cerveja, mas, por favor, os diálogos são maravilhosos, vivos, humanos. E aqui há, de forma muito intensa, o conflito entre gerações que faltou no livrinho aí de cima [O Duelo de Batman contra a MTV, poemas de Sérgio Capparelli]. Outro pasmo: por que o livro não foi censurado se os caras cagam sobre os milicos? Ora, certamente porque nenhum censor deu importância a um livro editado pela obscuríssima e carioca “Edições Gernasa” em 1971… Agora, é um mistério como ele, depois de tanta água, foi chegar a mim num balaio da Feira do Livro de 2006.
In: http://miltonribeiro.opsblog.org/2010/02/25/ultimos-livros-lidos/ - Milton Ribeiro,  Um blog d'O Pensador Selvagem.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CARANDÁ nº. 3

A pesquisadora Wania de Sousa Majadas, doutora em literatura, tendo estudado a obra de Luiz Vilela no mestrado (1992) e no doutorado (2004), deixou na gaveta, por quase dez anos, uma resenha sobre a coletânea de contos A cabeça, lançada em 2002. A resenha veio a público no ano passado, na Carandá nº. 3, da página 301 à página 307. Abaixo, na imagem, estão os links de acesso à Revista.

Majadas é autora de O diálogo da compaixão na obra de Luiz Vilela, lançado em 2000 e reeditado em 2011, e de Silêncio em prosa e verso: minério na fratura das palavras, lançado em 2007.

Confira, logo após os links de acesso, o sumário do terceiro número da Carandá - Revista do Curso de Letras do Câmpus do Pantanal da UFMS.

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