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quinta-feira, 7 de maio de 2015

LUIZ VILELA, RUBEM FONSECA, DALTON TREVISAN: A SANTÍSSIMA TRINDADE DO CONTO


      Embora quase vinte anos mais novo que Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, os dois perto de completar 90 anos e ainda em plena atividade, Luiz Vilela constitui com eles o que já se chamou de a santíssima trindade do conto brasileiro contemporâneo.
      Recentemente este blog deu, por ocasião do Prêmio Jabuti de 2014, em que Fonseca e Vilela foram os vencedores na categoria conto, Fonseca em 1º lugar e Vilela em 2º, dois comentários do crítico Wilson Martins sobre eles.
    Hoje, depois de  uma pesquisa em jornais das últimas décadas, damos aqui, em atenção aos leitores e estudiosos dos três autores, Vilela, Fonseca e Trevisan, uma série de comentários (citando somente a fonte e o ano) de críticos, jornalistas e escritores sobre eles, às vezes apenas sobre dois deles, incluindo os comentários anteriores de Wilson Martins.
     Terminamos com o comentário de um dos três autores, Trevisan, sobre os outros dois, mais Clarice Lispector, numa entrevista, feita às ocultas, na rua, por um jornalista e publicada na revista Status, em 1979. Ao negar que era um grande contista e ser indagado de quem ele assim considerava, Dalton respondeu: "Bom, o Machado de Assis. Dos novos tem muitos: Rubem Fonseca, Luiz Vilela, Clarice Lispector. Pelo menos são três excelentes."
       Vale lembrar que Trevisan, avesso a entrevistas, deu uma, talvez a sua maior, a Vilela, em 1968, por ocasião do I Concurso Nacional de Contos, do Paraná, em que ele foi premiado. Vilela, também premiado no mesmo concurso, trabalhava então como redator e repórter no Jornal da Tarde, para o qual fez a entrevista, que saiu sob o título de "A história do contador de histórias".
    Lembremos ainda que em 2012, por ocasião do Prêmio Camões, recebido por Trevisan, o tablóide Cândido dedicou a ele sua edição de junho, que trouxe, entre outras coisas, uma entrevista com Luiz Vilela, "De contista para contista", em que o escritor mineiro fala de seus encontros com o escritor paranaense.
      Por fim, antes de passarmos aos comentários, registremos aqui, a propósito do gênero conto, a recente observação do escritor Alberto Mussa, no jornal Rascunho, de dezembro de 2014, em sua coluna "Manual de Garimpo", intitulada "Panorama do conto brasileiro": "o conto, destituído da circunstancialidade da crônica e das redundâncias do romance, é a mais nobre das modalidades da prosa; e a única verdadeiramente universal."

      "Na linha de Dalton Trevisan, mas interessado numa exploração da realidade mais extensa que a do autor de O Vampiro de Curitiba, Luiz Vilela conhece todos os grandes segredos da arte difícil de contar um conto."
     (Arnaldo Saraiva, Suplemento do Jornal do Fundão, Portugal, 1967).

       "Não haveria demérito, acreditamos, em se relacionar o trabalho criador de Luiz Vilela com o de Dalton Trevisan. Trata-se de aproximação que se explica por vários motivos: a lavra de temas, a nitidez de traço no desenho de personagens, a secura do discurso... Com uma diferença, talvez: há em Vilela mais amor (malgrado a sátira) às criaturas; prova-o a incidência mínima de fatos violentos, que são uma constante na ficção de Trevisan."
        (Darcy Damasceno, Correio da Manhã, 1968).

       "O conto resiste com mais denodo: casos como Dalton Trevisan ou Luiz Vilela são exemplares. Neles, a tendência realística e a feição documental da prosa imaginativa de nossos dias são globais, pois enfocam não só a sociedade, também o indivíduo; não apenas comportamentos da vida cotidiana, também os aspectos da comunicação verbal na coletividade."
        (Darcy Damasceno, Correio da Manhã, 1968).

     "O conto realmente contemporâneo é o de Rubem Fonseca, o de Dalton Trevisan, o de Luiz Vilela. O fator catalisante da modernidade é o que antes de mais nada os distingue  -  são, para empregar um título famoso, os 'pintores da vida moderna'. Não necessariamente porque os seus temas sejam sempre os da atualidade sensacional (isso não acontece, por exemplo, nem com Dalton Trevisan, nem com Luiz Vilela), mas porque falam o idioma do nosso tempo e obedecem a outra gramática narrativa. O ritmo da ação é diverso, é outra a sintaxe dos motivos, também mudou, sem que o tivéssemos percebido, a psicologia do personagem, a do autor, a do leitor."
     (Wilson Martins, O Estado de S. Paulo, Suplemento Literário, 1971).

     "Estilisticamente, Rubem Fonseca e Luiz Vilela não acham necessário recorrer a funambulismos vocabulares ou sintáticos, nem a sinais diacríticos e tipográficos, nem à obscuridade pastosa que passa, ou procura passar por análise psicológica; eles se contentam com fixar, de forma insuperável, a contextura mesma da língua falada."
      (Wilson Martins, O Estado de S. Paulo, Suplemento Literário, 1973).

     "Não resta dúvida de que Luiz Vilela é a maior revelação do conto no Brasil, depois de Dalton Trevisan e Rubem Fonseca, que o antecederam. Tem uma força impressionante, domínio absoluto do diálogo e uma capacidade rara de captar o cotidiano."
     (Fausto Cunha, Jornal do Brasil, Suplemento Livro, 1975).

      "O conto, para ele [ Luiz Vilela], não é a construção da trama para um desfecho enigmático, mas a construção em si mesma, como em Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, seus colegas de santíssima trindade."
      (Manoel Nascimento, IstoÉ, 1979).

     "Não se pode ver em Luiz Vilela um autor pessimista, angustiado, seco, na linha, por exemplo, de um Dalton Trevisan, de um Rubem Fonseca. Ao contrário, de suas histórias ressuma uma garoa afetiva pelas coisas, brota muito amor pelos homens, se extrai um toque poético e lírico, que singulariza artisticamente sua expressão."
      (Hildeberto Barbosa Filho, O Momento, 1984).

       "Na verdade, a visão moderna do conto encarregou-se de despojar a narrativa curta de seu tratamento pomposo e prolixo, tratou de cortar uma floresta de verbosidade, desbastou a escrita de clichês mortos. O trabalho inicial foi o da paródia, ou seja, abandonou-se a função analógica que leva à estilização, e entregou-se à função inversa (que impôs a paródia), revertendo-se o sentido da fórmula consagrada e inserindo-a num contexto oposto. A prosa límpida de Dalton Trevisan, de um Rubem Fonseca, de um Luiz Vilela, é fruto de um longo percurso."
       (Fábio Lucas, Do Barroco ao Moderno - Vozes da Literatura Brasileira, 1989).

       "O paranaense Dalton Trevisan é um dos mestres do conto brasileiro contemporâneo, ao lado de Rubem Fonseca e Luiz Vilela. Mas, ao contrário dos dois mineiros, que expandiram sua prosa, incursionando de forma relevante pela novela e pelo romance, Dalton fincou seus marcos no território do conto, usando a linguagem para uma concentração radical de meios narrativos."
       (Marçal Aquino, Cândido, 2012).

     "Num país em que há contistas do nível de Dalton Trevisan, um Rubem Fonseca, um Luiz Vilela e tantos outros, o conto jamais estará em baixa."
        (Luiz Bras, Estado de Minas, Pensar, 2014).

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O espetáculo da violência na obra de Luiz Vilela

            Embora encoberta, a violência - em muitas de suas formas - é uma constante na sociedade brasileira. Em muitas de suas faces, essa violência está representada na obra de Luiz Vilela. O pesquisador Moacir Dalla Palma anotou sobre o tema em A Violência nos Contos e Crônicas da Segunda Metade do Século XX, tese defendida na UEL em 2008. O artigo "Era Aqui", Ficção e Sociedade em um Conto de Luiz Vilela, de Rauer Ribeiro Rodrigues, também trata do tema. O livro O menino na literatura brasileira, de Vânia Maria Resende, tem um capítulo sobre o sadismo infantil na obra de Luiz Vilela. Contos como "O Violino", "A Volta do Campeão" e "Escapando Com a Bola", para citar somente alguns entre dezenas, trata da violência interpessoal. A violência política, e seu cinismo correlato, estão - entre outros - em contos como "Más notícias" e o já citado "Era Aqui". A violência física, insinuada em diversos contos, está, por exemplo, em "À Luz do Lampeão" e em "Corpos", este último do recém-lançado Você Verá (Record, 2013; leia aqui a primeira resenha sobre o livro). Reproduzimos abaixo o resumo de uma comunicação em evento científico que destaca o tema da violência em um conto de Luiz Vilela.

1º Seminário Brasileiro de Poéticas Orais, UEL, outubro de 2010
O ESPETÁCULO DA VIOLÊNCIA NO CONTO “JÚRI” DE LUIZ VILELA 
Francielle Aparecida Miquilini de Arcega (G-FAFIPAR) 
Resumo: Este artigo analisa como se dá a relação entre a violência e o espetáculo no
conto “Júri” de Luiz Vilela. A análise parte do pressuposto de que a violência é vista
como espetáculo pela sociedade, no entanto, procura identificar se o espetáculo é um
efeito causal da violência ou se ambos surgem concomitantemente no interior do meio
social.  Outro  ponto  a  ser  trabalho  é  a  maneira  como  a  sociedade  vê  a  violência,
evidenciando a satisfação que o indivíduo encontra no espetáculo da punição, bem
como o elogio que faz à violência como mecanismo de combater a própria violência. 
Palavras-chave: Luiz Vilela; Violência; Espetáculo.
A resumo foi publicado aqui
O texto completo está aqui.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Você Verá - 3


Luiz Vilela lança livro na base da simplicidade
Por Elemara Duarte
HOJE EM DIA, Belo Horizonte, 26 nov. 2013.