quinta-feira, 30 de julho de 2015

Yvonélio defende tese sobre Luiz Vilela

O pesquisador Yvonélio Nery Ferreira, da UFAC - Universidade Federal do Acre, defendeu na última segunda-feira, dia 27, na UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, sob a orientação da Profa. Dra. Tania Regina Oliveira Ramos, a tese Percursos do silêncio: as narrativas de Luiz Vilela. 
Yvonélio estuda a obra de Vilela desde a especialização na UFU - Universidade Federal de Uberlândia, com a monografia A tentativa de apagamento da identidade das personagens dos contos de Tremor de terra, orientada pelo Prof. Dr. Cleudemar Alves Fernandes. Também na UFU fez o mestrado, elaborando a dissertação Humanismo e ironia nos contos de Luiz Vilela (aqui), defendida em 2008 sob orientação da Profa. Dra. Maria Ivonete Santos Silva.
Além da orientadora, Profa. Tania Ramos, a banca de doutorado – conforme informado pelo doutorando – foi composta pelos Profs. Drs. Salma Ferraz de Azevedo de Oliveira (UFSC), Gizelle Kaminski Corso (IFSC - Florianópolis), Claudio Celso Alano da Cruz (UFSC), José Carlos Mariano do Carmo (FATEC - Florianópolis), Zilma Gesser Nunes (UFSC) e Helena Heloísa Fava Tornquist (UFSC).
Eis o resumo da tese:

O objetivo a que me propus nesta tese foi demonstrar formas de silêncio nas narrativas de Luiz Vilela. Nesse sentido, o silêncio foi para minha leitura a matéria propulsora de sentidos e reveladora de subjetividades das personagens e dos personagens nas narrativas. Desenvolvi leituras do silêncio com base nas próprias histórias contadas, nos excessos e negações que o mundo contemporâneo impõe aos indivíduos e nos fracassos amorosos, alicerçadas em pressupostos de Mikhail Bakhtin e em teorias acerca da modernidade. Ao relacionar o silêncio e o tempo histórico percorri os caminhos da memória, destacando o silêncio político e as políticas de silenciamento até chegar às narrativas que problematizam a velhice e as mazelas que dela decorrem.

       Abaixo, algumas fotos da defesa:


Prof.ª Dr.ª Salma Ferraz de Azevedo de Oliveira (UFSC), Prof.ª Dr.ª Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC) e orientadora, Prof.ª Dr.ª Gizelle Kaminski Corso (IFSC - Florianópolis), EU, Prof. Dr. Claudio Celso Alano da Cruz (UFSC), Prof. Dr. José Carlos Mariano do Carmo (FATEC - Florianópolis), Prof.ª Dr.ª Zilma
Gesser Nunes (UFSC), Prof.ª Dr.ª Helena Heloísa Fava Tornquist (UFSC)

Yvonélio assina a Ata da Banca de Defesa do Doutorado

Yvonélio e sua orientadora, Profa. DRa. Tania Ramos

Yvonélio com familiares

segunda-feira, 27 de julho de 2015

REUNIÃO DO GPLV - CONVOCATÓRIA

GPLV – Grupo de pesquisa Luiz Vilela 
.
Convocação 



Convocamos os membros do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela para reunião no dia 08 de agosto, sábado, das 8h às 13h, no Câmpus 1 do CPTL / UFMS.

Pauta:

1. Aprovação da Pauta.

2. Grupo de Estudos:

2.1. Debate: “Ensinar leitura literária é possível: o despertar através de contos de Luiz Vilela”; apresentação inicial por Angela Nubiato Lopes, Eunice Prudenciano de Souza e Karina Torres Machado. 

2.2. Debate: "Memórias de si: a subjetividade na literatura brasileira contemporânea"; apresentação inicial por Pauliane Amaral, Karina Fátima Gomes e Rauer Ribeiro Rodrigues (artigo de Pauliane e Rauer disponível em < http://www.uniandrade.br/pdf/2014_Scripta%2012_final.pdf >, p. 85-105, ou em < http://gpluizvilela.blogspot.com.br/p/fortuna-critica.html >.


​3​. Planejamento do 5º Seminário de Pesquisa do GPLV.

4. Informes e Expediente.​

​EUNICE PRUDENCIANO DE SOUZA
     CO-LÍDER DO GPLV​

terça-feira, 14 de julho de 2015

ATA DA REUNIÃO DO GPLV DE 4 DE JULHO DE 2015

Ata da Reunião do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela, GPLV, ocorrida no dia quatro de julho de dois mil e quinze, às oito horas, na Sala do Terceiro ano de Letras, do Câmpus I de Três Lagoas da UFMS. O coordenador do GPLV, professor Rauer Ribeiro Rodrigues, abriu a reunião agradecendo aos presentes e justificou a ausência de Alcione Maria dos Santos, Angela Nubiato Lopes, Elenice de Araújo Oliveira, Eunice Prudenciano de Souza, Kelcilene Grácia Rodrigues, Pauliane Amaral e Waleska Rodrigues Matos. A pauta proposta foi aprovada, retirando-se dela a discussão sobre o 5º Seminário de Pesquisa do GPLV, por conta da justificada ausência da presidente da comissão, professora Eunice Prudenciano de Souza. 1. Informes: 1.1. Foi criado um grupo na rede social “WhatsApp”, em nome do GPLV, visando a uma melhor comunicação entre os membros, com a inclusão de vários integrantes à ferramenta já durante a reunião. 1.2. Foram informados os diversos eventos que os integrantes do GPLV participaram no primeiro semestre e as participações previstas para o segundo semestre; tais atividades serão oportunamente divulgadas pelo Blog do Grupo. 1.3. Foram informados artigos publicados por integrantes do Grupo no primeiro semestre e outros que estão no prelo para o segundo semestre; os artigos já publicados já foram incluídos na aba Fortuna Crítica do Blog. 2. Discussão: Em seguida, foi feita — por Fernanda Varela do Prado — a apresentação dos contos “Imagem”, “O buraco” e “O fantasma”, do livro Tremor de Terra, de Luiz Vilela. O enfoque teórico da apresentação foi o tema do insólito. Todos os presentes debateram os contos apresentados por Fernanda Varela do Prado, ampliando a discussão para outros contos do escritor. 3. Próxima reunião: Ficou acertado pelo grupo que o próximo encontro será no dia oito de agosto de dois mil e quinze, conforme convocação a ser feita pela liderança do GPLV. Nada havendo mais a tratar, eu, Rodrigo Andrade Pereira, redigi a presente ata, que foi assinada pelos presentes: Rodrigo Andrade Pereira, Elcione Ferreira Silva, Fernanda Varela do Prado, Lucas Borel, Lucas Rodrigues Neves, Luciene Lemos de Campos, Maria do Socorro Pereira Soares, Natália Tano Portela, Rubens de Aquino e Rauer Ribeiro Rodrigues.

terça-feira, 23 de junho de 2015

REUNIÃO DO GPLV – CONVOCATÓRIA


GPLV – Grupo de pesquisa Luiz Vilela


Convocação



Convocamos os membros do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela para reunião do GPLV no dia 04 de julho, sábado, das 13:30h às 17:30h, no Câmpus 1 do CPTL.


Pauta:


1. Informes;

2. Planejamento do 5º Seminário de Pesquisa do GPLV;

3. Discussão​, conduzida por Fernanda Varela​, dos contos  “Imagem”, “O buraco” e “O fantasma”     (Tremor de Terra), de Luiz Vilela, sob o prisma do insólito.



                       
​                                  Prof.ª Eunice Prudenciano de Souza​

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Thiago Fagundes Silva defende dissertação na Unimontes

        "Eu tinha 14 anos, lia os livros da Série Vagalume, e então li Tarde da noite, do Luiz Vilela, e isso mudou minha vida." A declaração foi feita pelo mestrando Thiago Fagundes Silva na apresentação de abertura na defesa de sua dissertação, Inadequados e incomunicáveis: o humano em ruínas nos contos de Luiz Vilela, no Programa de Pós-Graduação em Letras / Estudos Literários da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), ocorrida neste  17 de junho de 2015. A orientação da pesquisa foi da Profa. Dra. Rita de Cássia Silva Dionísio Santos, tendo composto a banca os professores doutores Telma Borges da Silva (Unimontes) e Rauer Ribeiro Rodrigues (UFMS), líder do GPLV - Grupo de Pesquisa Luiz Vilela.

        Para Thiago Fagundes Silva, a "amargura aflitiva diante do moderno iluminista racional" gera a tensão de base dos conflitos encenados pela ficção de Luiz Vilela, marcada pela "falência dos sonhos", pela desilusão do fim das utopias, pelo desalento diante do progresso destruidor, pelo mal-estar com a civilização, pela desertificação do humano na vivência do vazio existencial, da solidão na metrópole, da incomunicabilidade na era da comunicação instantânea.

        "Todas essas temáticas", assevera Thiago no resumo da dissertação, "são apreensíveis no espaço ficcional" dos contos de Luiz Vilela, surgindo "como produtos do olhar de sua literatura por sobre aspectos sociais e filosóficos acerca do mundo contemporâneo".

       Confira alguns flagrantes da defesa.

Profa. Dra. Telma Borges da Silva (Unimontes), Mestre Thiago Fagundes Silva, Profa. Dra. Rita
Dionísio (Unimontes, Orientadora) e Prof. Dr. Rauer Ribeiro Rodrigues (UFMS, GPLV)


Thiago Fagundes Silva


Thiago Fagundes Silva


Thiago Fagundes Silva e Prof. Rauer, após a Banca

Página de rosto da Dissertação

domingo, 14 de junho de 2015

De Dalton, 90 anos hoje, para Vilela: o escritor é um monstro moral

Quem tem medo do Vampiro de Curitiba?
Publicado em em 12/06/2015 às 12:27:39 - Atualizado em 12/06/2015 às 13:23:57

Jonatan Silva


     Dalton Trevisan completa 90 anos neste domingo (14). Muito menos misterioso que Elena Ferrante e mais discreto que Rubem Fonseca, o escritor curitibano carrega consigo a imagem de outsider literário. Em tempos de feiras e festivais literários ao redor do mundo, Dalton parece se manter incólume à exposição exagerada, tentando preservar a si e à sua obra.
Durante a entrega do prêmio Portugal Telecom em 2007, honraria à qual não compareceu, o Vampiro de Curitiba disse – por meio de uma representante – que a figura do autor pouco importava e que o que realmente valia era o livro. E não estava errado. A sua reclusão só vem a confirmar essa espécie de lema literário que o escritor leva consigo há tantos anos.
     Figura importante da literatura paranaense, o autor de A Polaquinha (1985) eNovelas nada exemplares (1959) criou a revista Joaquim que circulou entre 1946 e 1948 e acabou justamente por fazer sucesso demais. As histórias sobre o fim da revista são as mais diversas – e divertidas – inclusive de que, após receber um elogio público do Deputado Gilberto Freyre, Dalton teria se enfurecido e encerrado as atividades.

Ulisses em Curitiba

     A 21ª e última edição da Joaquim, publicada em dezembro de 1948, trazia a primeira parte do conto “Ulisses em Curitiba” e anunciava que a revista de número 22 teria a conclusão do texto. Ainda assim, o criador não poupou a criatura e a decepou. Com o fim da revista, o conto ficou sem final.
A derradeira edição tinha também um anúncio do livro Sete anos pastor (1948), obra que o próprio autor fez questão de esquecer.

         Uma das raras vezes em que Dalton 'se deixou'
                    fotografar. Foto: Reprodução.


Pequenos demônios

      A literatura de Dalton Trevisan é a literatura da carne. Joões e Marias. Balas Zequinhas. Rio Belém. Cenários e personagens se repetem vertiginosamente em uma prosa lapidada e esculpida pelo minimalismo obsessivo e perfeccionista do Vampiro. É impossível não notar o cotidiano da gente simples de Curitiba.
        O retrato é fiel, mas não é bem esse o universo do escritor. Morando há muitos anos na mesma casa no Alto da Glória, Dalton pode ser visto pelas ruas próximas – e até cruzando a XV de Novembro – praticamente invisível, mas não qualquer amigo que o tenha encontrado nos locais mais sujos da cidade.
     Essa ‘distância’ explica o susto da família do autor ao ler seus primeiros contos. Quando perguntado por Luiz Vilela, em 1968, se seus irmãos liam o que escrevia, o curitibano disse que sim, mas que preferia que não o fizesse. “Eles devem pensar: como uma pessoa educada com carinho, nos melhores sentimentos, se tornou esse monstro moral?” [Outras informações, aqui, aqui e aqui].
        Para o jornalista e escritor Edilson Pereira, Dalton revela a realidade dos “pequenos demônios de Curitiba, pessoas que os demais olhavam e não enxergavam”.

Universal

       Curitiba é somente a plataforma, uma parte da literatura daltoniana - já traduzida na Alemanha, na Holanda, na Argentina e Estados Unidos.
     “Dalton não é curitibano, ele é brasileiro. Diria até que ele é latino-americano ou universal”, comentou Pereira e completa: “Dalton é um dos raros escritores originais”. O jornalista comenta que grandes escritores, como Kafka, Joyce e Borges. são lembrados por sua literatura pessoal.

       O escritor Marcos Peres, autor de O Evangelho segundo Hitler, coloca Dalton como um soberano das palavras, “um altar, tão fugidio e não comprovável quanto qualquer postulado religioso”. Na sua visão, a Curitiba de Dalton é um contraponto à imagem de cidade sorriso e ecológica que transborda nos comerciais.

      “A Curitiba organizada, modelo, dos shoppings e das férias, de repente, virava uma cidade escura, hermética, violenta, permeada de vampiros notívagos, de encontros furtivos, de pontes sem rio por baixo e de lambaris do rabo dourado. Dalton, como outros gigantes, mostrou-me a possibilidade de ser espectador e ouvinte, testemunha e recriador de seu povo, de sua gente, de sua cidade”, comentou.

Jonatan Silva é formado em Jornalismo e apaixonado por literatura e cinema.
Escreve sobre o hábito neurótico e pouco ortodoxo de ler.

Publicado originalmente aqui.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Trabalho analisa as diferentes abordagens do “eu” na literatura brasileira contemporânea

Da esquerda para a direita: Luiz Vilela; Cristovão Tezza;
Ivana Arruda Leite e Alciene Ribeiro Leite
Pauliane Amaral e Rauer Ribeiro Rodrigues, pesquisadores em Teoria Literária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e membros do GPLV, publicam artigo na Revista Scripta (ISSN 1679-5520) que discute as nuances da subjetividade na literatura brasileira contemporânea a partir de textos dos autores Luiz Vilela, Cristovão Tezza, Alcione Ribeiro Leite e Ivana Arruda Leite.

O ponto de partida do trabalho foi uma pesquisa feita pelo jornal Folha de São Paulo, em que críticos apontaram que os “enredos centrados no eu”, frequentemente narrados em primeira pessoa, e com temas ligados, ora mais ora menos explicitamente, à vida do escritor, predominam na produção literária nacional dos últimos anos. A pesquisa do jornal, por sua vez, retoma o texto clássico de Machado de Assis “Instinto de nacionalidade”, no qual o bruxo do Cosme Velho erige seu posicionamento a respeito da discussão entre o particular e o universal na literatura brasileira do fim do século XIX. 

Segundo os autores, o objetivo principal do artigo “As memórias de si: a subjetividade na literatura brasileira contemporânea” é verificar se a autorreferência usurpou o lugar dos debates de relevância social e política na atual produção literária brasileira.

Artigo completo disponível em Fortuna Crítica.

Acesse a revista completa aqui.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

LUIZ VILELA É NOTÍCIA EM CARTÓGRAFOS DA VERTIGEM URBANA

Em notícia do site Cartógrafos da vertigem urbana, o escritor Luiz Vilela fala sobre a necessidade de escrever ficção que o acompanhou por toda a vida.


Confira abaixo a notícia:




Por Fabrício Marques

Crédito: Luiz Vilela / Arquivo Pessoal
Luiz Vilela no Parque Municipal de Belo Horizonte, nos anos 1960

Luiz Vilela tinha apenas 24 anos quando estreou na literatura com o livro de contos “Tremor de terra”, em 1967. Este mineiro de Ituiutaba, nascido em 1942, fez uma das estreias mais impressionantes das letras brasileiras, com um livro maduro e repleto de excelentes contos, o que resultou em consagrações instantâneas, do livro e do autor.

Um dos contos do livro, “Deus sabe o que faz”, tem uma dos melhores aberturas da ficção produzida em qualquer país:

“Deus sabe o que faz e por isso a criança nasceu cega, mas Deus sabe o que faz e ela cresceu forte e sadia, não teve coqueluche nem bronquite como os outros filhos – o mais velho, aos vinte e poucos anos já vivia na pinga, cometeu um crime e foi parar na cadeia; a menina cresceu, virou moça, casou, traiu o marido, separou, virou prostituta; o cego tinha o ouvido bom e aprendeu a tocar violão e aos quinze anos já tocava violão como ninguém, um verdadeiro artista, porque Deus sabe o que faz e para tudo nesse mundo há uma compensação (…)”.

De lá pra cá, já são diversas publicações, entre contos, romances e novelas.


Antes de sua estreia literária, Luiz Vilela criou, juntamente com outros escritores mineiros, como Luiz Gonzaga Vieira e Wanda Figueiredo, a revista “Estória”, que em 2015 completa 50 anos de seu lançamento. O primeiro número foi lançado em outubro de 1965. O sexto e último número da revista saiu em 1968.

       Primeiro número da revista “Estória”, editada por Luiz Vilela

Sexto e último número da revista “Estória”, lançado em 1968

Entrevistei Vilela para a edição 1.340 do “Suplemento Literário de Minas Gerais”, de janeiro/fevereiro de 2012, quando ele estava lançando seu romance mais recente, “Perdição” (no mesmo número, há uma resenha de Francisco de Morais Mendes sobre o livro). Destaco aqui dois trechos dessa conversa:

“Desisti de escrever porque há um excesso de verdade no mundo”, disse Otto Rank. Como você avalia essa afirmação?

— Como não conheço o contexto em que ela foi feita, não posso avaliá-la. Quanto a mim, o que eu acho que há no mundo é um excesso de mentira, o que me causa muita indignação e me leva a continuar escrevendo.

Em 1978, durante o XII Encontro Nacional de Escritores, em Brasília, numa palestra sua intitulada “Por que escrevo ficção”, mais tarde publicada na edição comemorativa do número 1000 deste Suplemento, você disse o seguinte: “Escrevo ficção por uma necessidade de contar histórias, não importa a quem nem para quê. Uma necessidade que surgiu na adolescência e que com o tempo se tornou tão vital quanto comer e dormir, e, em certas circunstâncias, até mais. Hoje, não consigo me imaginar vivendo sem escrever. Parar de escrever seria uma espécie de morte — seria realmente morrer. Assim, sabendo ou não sabendo por quê, escrever ficção é o que eu faço e é o que eu certamente farei até o fim de minha vida.” Você alteraria algo nesta declaração ou lhe acrescentaria algo? 

— Não, eu não alteraria nem acrescentaria nada. Mas gostaria de dizer, aqui, que, de lá para cá, nestas três décadas, eu publiquei dois livros de contos, três novelas e quatro romances, além de ter escrito, nos últimos anos, para próxima publicação, um novo livro de contos, uma nova novela e um novo romance. Ou seja, eu nunca parei nem me desviei de minha meta. Tendo começado a escrever aos 13 anos, já são, portanto, 55 anos escrevendo ficção. E é isso o que eu, agora, espero continuar fazendo até o fim de minha vida: escrever ficção.



Tirinha publicada no Estado de Minas em 1983 cita músicos e também escritores, como Luiz Vilela

Para saber mais sobre o escritor, acesse este blog: 
http://gpluizvilela.blogspot.com.br/p/noticias.html.

Informações sobre a revista Estória estão em um texto de Luiz Ruffato, aqui: 
http://rascunho.gazetadopovo.com.br/revistas-literarias-em-belo-horizonte/.

A entrevista com Vilela e a resenha do livro “Perdição” estão aqui: 
http://www.ciclope.com.br/wp-content/uploads/2013/11/2012-janeiro-fevereiro-slmg.pdf.


A notícia também pode ser conferida aqui.

Acesse a entrevista completa aqui e aqui.

sábado, 30 de maio de 2015

ATA DA REUNIÃO DO GPLV

Ata da Reunião do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela, GPLV, em 30 de maio de 2015, na UFMS, Câmpus de Três Lagoas. O coordenador do GPLV, professor Rauer Ribeiro Rodrigues, abriu a reunião, às 8:00h, agradecendo aos presentes e informando que Ângela Nubiato Lopes, Karina Torres Machado, Rodrigo Andrade Pereira, Pauliane Amaral e Waleska Rodrigues Martins justificaram a ausência. Após a aprovação da pauta, seguiu-se a avaliação do 4º Seminário de Pesquisa, realizado no dia 4 de maio de 2015, em Corumbá, MS.  Todos os presentes elogiaram o evento, discorrendo sobre a qualidade e amadurecimento dos trabalhos apresentados. Em seguida, tratou-se do 5º Seminário de Pesquisa. Ficaram definidos o CPTL e os dias 1º, 2 e 3 de outubro de 2015 para a realização do evento. Para o 5° Seminário serão convidados pesquisadores da obra de Luiz Vilela que não integram o GPLV. Foi eleita a seguinte Comissão para organizar o 5º Seminário: Eunice Prudenciano de Souza (presidente), Elcione Ferreira Silva, Lucas Rodrigues Neves, Natália Tano Portela, Igor Iuri Dimitri Nakamura e Matheus Antenor Gomes.  Seguiu-se a discussão sobre “Constantes temáticas nos contos de Luiz Vilela”, proposta por Eunice Prudenciano de Souza, acrescida da abordagem dos contos “Dez anos”, “No bar” e “Solidão”, sob a perspectiva da “personagem narradora”, conforme proposta feita por Rodrigo Andrade Pereira. A próxima reunião do GPLV ficou definida para o dia 4 de julho, das 13h30 às 18h. Fernanda Varela do Prado ficou encarregada de apresentar os contos “Imagem”, “O buraco” e “O fantasma” para discutirmos o insólito na obra de Luiz Vilela. Nada havendo mais a tratar, os presentes assinaram a Ata. Secretária da reunião: Eunice Prudenciano de Souza. Elcione Ferreira Silva. Elenice Alves de Araújo Oliveira. Fernanda Varela do Prado. Igor Iuri Dimitri Nakamura. Lucas Borel Cristiano. Lucas Rodrigues Neves. Luciene Lemos de Campos. Maria do Socorro Pereira Soares. Mateus Antenor Gomes. Natália Tano Portela. Rauer Ribeiro Rodrigues.  


terça-feira, 26 de maio de 2015

O estrangeiro e a alteridade, por Laura Delgado

Um dos trabalhos apresentados no 4º Seminário do GPLV, dia 4 deste mês, em Corumbá, MS, no Câmpus do Pantanal da UFMS, foi uma síntese da pesquisa de mestrado defendida em 2012 por Laura Delgado. Eis os dados da dissertação:
DELGADO, Laura Eliane de Magalhães Alvarez. A alteridade em narrativas de Luiz Vilela. Campo Grande, 2012. 182 f. Dissertação (Mestrado, Estudos de Linguagens) – DLE/CCHS /UFMS. Orientador: Rauer Ribeiro Rodrigues.
Um aspecto do estudo da pesquisadora foi apresentado no GEL de 2012, conforme resumo disponivel em < http://gel.org.br/detalheResumo.php?trabalho=7764 >. Reproduzimos abaixo os dados dessa apresentação.

REFERÊNCIA: LAURA ELIANE DE MAGALHÃES ALVAREZ DELGADO. REPRESENTAÇÕES DO ESTRANGEIRO: A ALTERIDADE E A OUTRIDADE EM CONTOS DE LUIZ VILELA .
IN: SEMINÁRIO DO GEL, 60., 2012, PROGRAMAÇÃO... SÃO PAULO (SP): GEL, 2012.

TÍTULO: REPRESENTAÇÕES DO ESTRANGEIRO: A ALTERIDADE E A OUTRIDADE EM CONTOS DE LUIZ VILELA

AUTOR(ES): LAURA ELIANE DE MAGALHÃES ALVAREZ DELGADO

RESUMO: QUANDO PENSAMOS NO "OUTRO" COMO CONVIVEMOS E REPRESENTAMOS ESSE "OUTRO", ESSE “ESTRANGEIRO”.NAS SOCIEDADES ANTIGAS “O OUTRO”, “ESTRANGEIRO” ERA VISTO E TRATADO COMO INIMIGO, AQUELE QUE ERA RESPONSÁVEL PELAS INFELICIDADES E DERROTAS E NÃO ERA CONSIDERADO COMO UM CIDADÃO. SEGUNDO
JÚLIA KRISTEVA SOMOS “ESTRANGEIROS PARA NÓS MESMOS”, POIS O ESTRANGEIRO HABITA EM NÓS. SE LEVARMOS
EM CONSIDERAÇÃO QUE NA CONSTITUIÇÃO DO POVO BRASILEIRO, INICIALMENTE, TEMOS A PRESENÇA DE TRÊS
POVOS DIFERENTES QUE PARTICIPARAM DA NOSSA FORMAÇÃO E POSTERIORMENTE, TIVEMOS A PRESENÇA DE
IMIGRANTES, OU SEJA, HOUVE UM PROCESSO DE HIBRIDISMO, OBSERVAMOS QUE NÃO HÁ POVOS “PUROS” EM SUA
CONSTITUIÇÃO. DE ACORDO COM TODOROV A RELAÇÃO COM O OUTRO NÃO SE DÁ APENAS NUMA ÚNICA
DIMENSÃO. ELA OCORRE EM TRÊS ESFERAS: NO PLANO AXIOLÓGICO PODEMOS FAZER UM JULGAMENTO DE
VALOR, NO PLANO PRAXIOLÓGICO PODEMOS NOS APROXIMAR OU DISTANCIAR DESSE OUTRO E NO PLANO
EPISTÊMICO PODEMOS IGNORAR OU CONHECER A IDENTIDADE DO OUTRO. PARTINDO DESSAS AFIRMAÇÕES COMO
O “OUTRO” “ESTRANGEIRO” É REPRESENTADO NOS CONTOS DE VILELA. ESTE TRABALHO CONSISTE NA ANÁLISE
DE OITO CONTOS DE LUIZ VILELA COM O OBJETIVO DE ESTUDAR AS RELAÇÕES DE DISCRIMINAÇÃO E DE AFETO
EM RELAÇÃO AO “OUTRO”, AO “ESTRANGEIRO” (MIGRANTES, IMIGRANTES), E ASSIM TRAÇAR UMA TRAJETÓRIA DE
COMO A ALTERIDADE E A OUTRIDADE ESTÃO REPRESENTADAS NA OBRA DESTE ESCRITOR. TRATA-SE DE UMA
PESQUISA BIBLIOGRÁFICA E AS OBRAS ANALISADAS SÃO: “MEU AMIGO”, DA COLETÂNEA TREMOR DE TERRA
(1967), “UM CAIXOTE DE LIXO” E “SOFIA”, DA COLETÂNEA NO BAR (1968), “FRANÇOISE”, DO LIVRO TARDE DA
NOITE (1970), “NÃO QUERO NEM MAIS SABER” E “UM RAPAZ CHAMADO ISMAEL”, DA OBRA O FIM DE TUDO (1973),
E OS CONTOS “TODAS AQUELAS COISAS” E “NÃO HAVERÁ MAIS ÍNDIOS”, DO LIVRO LINDAS PERNAS (1979). ESSES
CONTOS FORAM SELECIONADOS POR APRESENTAREM PERSONAGENS EM CONFRONTO COM ALTERIDADES QUE SE
DEFINEM POR SEREM MIGRANTES. NOSSA PRIMEIRA HIPÓTESE NESTE TRABALHO É DE QUE, EM LUIZ VILELA, TAL
COMO VERIFICAMOS NESSES CONTOS, NOS QUAIS EXISTE UM EXPLÍCITO CONTATO DO EU COM O OUTRO
FIGURATIVIZADO COMO ESTRANGEIRO, O ESPAÇO SOCIAL É CRUEL E DESUMANO E O HOMEM É UM SER SEM
COMPLACÊNCIA COM A ALTERIDADE. NO EXTREMO, O QUE PARECE É QUE O “NÓS” ELIMINA O “OUTRO”, QUANDO
NÃO PODE SUBMETÊ-LO AOS SEUS DITAMES. NOSSA SEGUNDA HIPÓTESE, PORÉM, É DE QUE O NARRADOR NÃO É
CONIVENTE COM A CRUELDADE, FORJANDO ALTERNATIVAS DE ENTENDIMENTO ENTRE A ALTERIDADE QUE
SIMBOLIZA O DIFERENTE, O OUTRO, E O EU, QUE REPRESENTA UM “NÓS” DE IDENTIDADE COLETIVA. DIANTE
DISSO, NOSSA PROPOSIÇÃO CENTRAL É DE QUE, EM LUIZ VILELA, O NARRADOR EM PRIMEIRA PESSOA E
PROTAGONISTA EM NARRATIVAS EM TERCEIRA PESSOA PASSAM DA DISSOCIAÇÃO “EU”/ALTERIDADE
PARA A INCORPORAÇÃO, EM SI, DA ALTERIDADE. O TRABALHO ESTÁ DIVIDIDO EM PARTES, A PRIMEIRA PARTE
CONSISTE NO ESTUDO DOS CONTOS QUE TRATAM DA EXCLUSÃO DO “OUTRO”, A SEGUNDA, NO ESTUDO DOS
CONTOS EM QUE CAMINHAM PARA A ACEITAÇÃO DA ALTERIDADE E A TERCEIRA NOS CONTOS EM QUE HÁ A
ACEITAÇÃO DESSA ALTERIDADE. NOSSO ESTUDO SE VALE DE TEÓRICOS COMO JÚLIA KRISTEVA, OCTAVIO PAZ,
REGINA DALCASTAGNÈ, TODOROV, RAUER RIBEIRO RODRIGUES.

terça-feira, 19 de maio de 2015

PAULINHO ASSUNÇÃO RELEMBRA MOMENTO NOSTÁLGICO AO LADO DE LUIZ VILELA

Em texto poético, Paulinho Assunção relembra momento nostálgico, na rodoviária de São Gotardo -  MG, Brasil, ao lado do ficcionista Luiz Vilela. O fato ocorreu em uma madrugada nos idos da década de 70 e, como diz o escritor, volta de tempos em tempos. O texto pode ser conferido abaixo: 

[COM LUIZ VILELA, CERTA NOITE, HÁ MUITOS ANOS]

Era começo de madrugada na pequena (e já demolida) rodoviária de São Gotardo, ali pelos meados dos anos 1970. 

Conversávamos, Luiz Vilela e eu, sobre temas diversos, sentados em um dos bancos de granito semelhantes aos existentes nas duas praças, uma do lado de cima, outra do lado de baixo, com a rodoviária no meio. 

Ocorreu, então, o fato. Fato sorrateiro, mágico, hipnotizante. 

De repente, percebemos que já não falávamos, só ouvíamos a voz que vinha do bar dentro do próprio prédio, voz com os poderes do tom e os poderes da musicalidade. 

Com as cabeças abaixadas, em silêncio, bebericando muito espaçadamente a nossa cerveja, só ouvíamos a voz que parecia sair das páginas de Grande sertão: veredas. 

O dono da voz era um velho. 

E esse velho contava histórias. 

Esse velho era vaqueiro, condutor de boiada, e estava com a sua boiada estacionada nas imediações da cidade. 

Poderia ser o Manuelzão ou poderia mesmo ser o Riobaldo Tatarana. 

Poderia. 

Mas era apenas um velho boiadeiro de Minas Gerais como os tantos boiadeiros de Minas Gerais que Guimarães Rosa levou para os seus livros. 

Há muitos anos que não converso com o meu amigo Luiz Vilela sobre tal acontecimento naquela madrugada de São Gotardo, Alto Paranaíba. 

Lembrei-me desse acontecimento hoje, como, aliás, de tempos em tempos, volta e meia ele insiste em ser lembrado.

*   *   *

O texto também pode ser conferido no blog do escritor:
http://paulinhoassuncao.blogspot.com.br/2015/05/com-luiz-vilela-certa-noite-ha-muitos.html