segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PERDIÇÃO: Resenha - 8


PERDIÇÃO: SÍNTESE DE UMA COSMOVISÃO EM EVOLUÇÃO

João Assis de Oliveira

Existe vasta riqueza crítica sobre a obra de Luiz Vilela — todos bem o sabem; cada uma diz um pouquinho da própria verdade pessoal (sintomática) ao destacar esta ou aquela, digamos assim, tendência evolutiva no incrível percurso de Luiz Vilela.

Assim, pode-se tomar Perdição como um adequadíssimo mostruário (e até monstruário — veja-se o Papudo [monstro do lago que é cenário do romance])  do que se disse acima. Existe, no romance, um pouco do muito que havia já no início da mímese da vida a que se propôs Vilela em sua arte.

(AVISO aos navegantes:  não se pretende aqui fazer PSICOLOGISMO, sempre vão porque barato; muito menos PSICANALISAR uma obra — seria isso possível?!).

O que importa aqui é destacar, em Perdição, o alcance de um ponto  (no sentido mesmo do que se faz com um doce) a partir do qual o narrador (com seu tanto de autor) parece dizer algo assim: está aqui o que pude  alcançar do mistério que é a vida; eis aí meu deslumbramento e também meu descontentamento com ela. Fala-se muito de Deus no que escrevi; mas o diabo está bem mais presente aí — ele está nas entrelinhas, como o de João Guimarães Rosa esteve pelas veredas, no meio dos redemoinhos do sertão.

A propósito, ser tão solitário — por exigência mesmo da arte em que se meteu a aprontar —, o escritor paga o seu alto preço (pois não quis a loucura e nem o suicídio). E se escolheu viver, o Simbólico cobra dele a honestidade e a franqueza de sua mímese, pois o autor corre perigosamente por entre esses dois outros riosinhos, todos os três indo acabar na lagoa — no Estige — em que se meteu Leonardo, e onde o narrador só quis dar uma olhada, felizmente — possivelmente, este último deve ter aprendido com Nietzsche que lidar com monstros é estar sempre à beira do precipício (que seja de uma lagoa), em que não se deve olhá-lo muito demoradamente, sob pena de também em um monstro se transformar...

Pois bem, todo este preâmbulo é apenas para dizer da beleza de um percurso honesto, de uma cosmovisão autêntica, de um testemunho quase evangélico, de um vivenciar o suprerreferido mistério. Veja-se se não é verdade: da compaixão quase competentemente animal dos belíssimos contos “A chuva nos telhados antigos” e “Piabinha”, por exemplo, passa-se — por via, certamente, de um longo, prazeroso e não menos doloroso percurso — passa-se à tão humana, mordaz e bem escrita ironia presente aos borbotões via fala de Ramon no Perdição.

Mas não nos iludamos, nós leitores, pois que atos falhos sempre existirão, desde que se trate de humanos. Ramon parece tão seguro de si, no relato ora em análise — que exaustivamente ironiza tudo, com humor cáustico, no lugar e na hora certa — e desvelando, por isso, sua tão peculiar cosmovisão! Porém, quando comparece o Inconsciente, ele e Leo (particularmente este) levam cada um sua bordoada; note-se isto nas conversas aparentemente triviais à beira da lagoa em que se metem a pescar (ops! É "metem" mesmo, pois há um erotismo sutil e inconsciente pairando toda a cena... Eh, esse negócio de duplas fiéis de pescadores é muito suspeito... Nada contra; apenas constata-se o fato aqui).

Perdição, então, está repleto de uma mestria que aqui se propõe chamar  de SÍNTESE. Mas, felizmente, ele foi escrito (quero acreditar nisso) para se afastar, por mais um tempinho ainda, daquilo que é a verdadeira síntese: a morte — essa "indesejada das gentes" que percorre incólume a obra em questão. Vilela pega seu Ramon (ou é pego por ele) e o faz revelar os rodeios, tão peculiares e cheios de cuidado — que o distanciam do Estige por mais tempo. Já Leonardo acaba por voltar a fazer parte da sopa original e milenar (ou da lagoa) de onde surgiu a vida — ah, a misteriosa vida.

Que venha mais Vilela, a enganar pelo máximo de tempo possível a inexorável morte — de nossa parte, resta agradecer-lhe pelo relato de mais essa bela rasteira nessa danada de foice tão afiada e fatal.

É mesmo verdade o que o próprio autor de Perdição certa feita disse: "As grandes alegrias e as grandes tristezas são sempre solitárias". Agora, com o Perdição, foi a vez das "grandes alegrias" — felizmente!

Perdição, não Redenção, isso sim!

João Assis de Oliveira é médico; foi professorde 
língua portuguesa, redação e literatura; éalma 
inquieta, apaixonada por literatura; na 
Ituiutaba natal, foi jovem livreiro

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

20º. Concurso de Contos Luiz Vilela

O volume com os dez melhores contos do 20º. Concurso de Contos Luiz Vilela foi lançado, pela Fundação Cultural de Ituiutaba, no final de 2011. A Comissão Organizadora dessa edição do Concurso foi formada por Cláudio Willer, Luzilá Gonçalves Ferreira e Sérgio Rodrigues. Nesta sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012, um dos selecionados, o escritor Uili Bergamin, registrou em seu blog a seguinte nota:
Recebi na semana passada 10 exemplares do livro/antologia do "20º Concurso Nacional de Contos Luiz Vilela", o mais conhecido e disputado concurso de contos do Brasil. Entre os quase mil inscritos, apenas 10 foram selecionados para compor o livro, e entre eles está o meu
"A insustentável leveza do sonho", texto muito elogiado, premiado e que inclusive foi matéria de TV em meados de 2011, pela UCS TV de Caxias do Sul. É também a narrativa que abre minha coletânea Contos de Amores Vãos. Em tempo, o conto é inspirado na vida e experiência
do meu amigo, Sr. Nilton Scotti.
Bergamin nasceu, em 1979, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, tendo residido em Cotiporã e se fixado em Caxias do Sul. Já foi premiado em diversos concursos literários, nacionais e internacionais. É autor de cinco livros (dois de contos, uma novela, um de poesia e um juvenil), e atua como jornalista. Seu blog é o http://uilibergamin.blogspot.com/, e a nota sobre o Concurso de Contos - reproduzida acima - está em http://uilibergamin.blogspot.com/2012/02/luiz-vilela.html.

Os dez autores que compõem o volume 20º. Concurso de Contos Luiz Vilela, cujo trabalho de editoração esteve a cargo da EGIL - Editora Gráfica Ituiutaba Ltda., são os seguintes: Állex Leilla (BA), Antonio Barreto (MG), Bethânia Pires Amaro (BA), Éder Rodrigues (MG), Elisabete Carvalho Peiruque (RS), Emir Ross (RS), Rosita Samarani Prates (RS), Thomé de Oliveira (SP), Uili Bergamin (RS) e Whisner Fraga (MG).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Lindas pernas", por Ederval Fernandes


CONTISTAS BRASILEIROS #1 – LUIZ VILELA

por ederval fernandes em 07 de fev de 2012 às 17:19
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Caso este rápido comentário fosse para constar na orelha de alguma coletânea de contos do escritor mineiro Luiz Vilela, eu começaria parafraseando Antonio Cândido, o célebre crítico uspiano. Candido não poderia ser mais preciso ao descrever as habilidades do contista Vilela de maneira tão clara e objetiva. Diz Cândido: que a força de Luiz Vilela está no diálogo e também na “absoluta pureza” de sua linguagem.
Acabo de ler a coletânea Lindas Pernas (1979, Livraria Cultura Editora) do escritor mineiro. O livro tem uma curiosidade, ele é composto somente de contos premiados em concursos literários. São 15 contos curtos, média de 10 páginas cada, cujo compromisso com as premissas básicas do conto moderno (ao menos as mais alardeadas e admitidas, como a coesão, a clareza e a agilidade) é levado ao extremo.
Definitivamente as invenções formais não fazem parte do leque literário de Luiz Vilela, que, me parece, tem por obsessão o contínuo aprimoramento com a linguagem escrita, seja quando praticamente extingue suas diferenças em relação à linguagem falada em seus magníficos diálogos, seja quando, ao assumir a pecha de narrador, elimina todas as ambigüidades desnecessárias, deixando apenas aquelas intencionais e fundamentais a cada conto. Há em sua linguagem uma espontaneidade e uma fluidez que impressionam. A temática dos contos que compõe Lindas Pernas é variada, há desde discussões conjugais (Abismos), solidão e desamparo (Feliz Natal e Bichinho Engraçado), amizades desfeitas (Todas Aquelas Coisas) e toda sorte de pequenos acontecimentos cotidianos que, afinal, formam grande parte da vida urbana contemporânea.
Este ano de 2012 tenho como projeto ler o quando puder de literatura brasileira, que, descontando alguns clássicos e obras contemporâneas esparsas, conheço muito pouco ou quase nada. Tenho tantas lacunas na minha formação de leitor de literatura brasileira que se eu for citar apenas as mais importantes, certamente mais duas páginas de Word não seriam suficientes. Talvez por não ter lido, no início da minha formação como leitor, autores brasileiros cuja linguagem se aproximasse mais de algo ágil e direto (características que eu tenho certa predileção como leitor) ou de aspectos mais urbanos e menos regionalistas, contraí daí esta constrangedora ignorância em relação à literatura do meu país. Não acredito e não sou nenhum entusiasta de nacionalismos, e desconfio profundamente de pessoas que os promovam e os declamem, mas como interessado em literatura que sou (afinal de contas, será com ela que irei trabalhar caso eu vire mesmo professor), acho que chegou o momento de eu demolir certos preconceitos e ler e conhecer mais seriamente autores além de Graciliano Ramos, Machado de Assis e outros muito poucos. Luiz Vilela foi uma boa descoberta. Um bom começo (ou recomeço). Fiquei entusiasmado. Recomendo.
edervalfernandes
Artigo da autoria de Ederval Fernandes.
Ederval Fernandes é baiano de Feira de Santana..
Saiba como fazer parte da obvious.
http://lounge.obviousmag.org/a_estetica_da_sinceridade/2012/02/contistas-brasileiros-1-luiz-vilela.html 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"Perdição" NO SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS

        Leia, na próxima edição do Suplemento Literário de Minas Gerais, a sair este mês, um artigo de Francisco de Morais Mendes, "Por aquelas palavras", sobre o romance Perdição, e uma entrevista de Luiz Vilela a Fabrício Marques, "55 anos escrevendo ficção".
        "A literatura de Luiz Vilela alcança o leitor não como uma inundação;
ela o alcança como uma infiltração, corroendo aos
poucos o edifício das nossas certezas."
(Francisco de Morais Mendes).

        "Se alguma coisa eu sou como escritor e se alguma coisa são os meus livros, eu devo isso, em grande parte, aos autores que eu li na adolescência. Sem
eles, eu certamente não seria o que sou nem teria escrito o que escrevi."
(Luiz Vilela).
        Com distribuição gratuita e tiragem de 15 mil exemplares, o Suplemento Literário de Minas Gerais (www.cultura.mg.gov.br/suplemento-literario), sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura, é enviado aos 853 municípios mineiros, além de pessoas e entidades culturais em outros estados do país. Criado há mais de 40 anos pelo escritor Murilo Rubião, o Suplemento é a mais antiga e tradicional publicação cultural de Minas Gerais.

         As edições do SLMG, de janeiro de 2006 às atuais, ficam disponíveis em: 


         As demais edições (dos anos 60 até 2005), com diversas possibilidades de consulta (edição, autor, título, etc.), estão em:

         Uma dica: pesquise Luiz Vilela tendo por diretira "autor"; vale a pena; em um segundo momento, pesquise tendo por diretiva "assunto"; vai descobrir artigos e depoimentos dos mais interessantes.

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Encontros marcados", por Wilson Martins

Em 17 de outubro de 1992, o crítico Wilson Martins trata do romance Hilda furacão, de Roberto Drummond, lançado no ano anterior. Nos dois primeiros parágrafos, em que o situa como "romance de uma geração", trata de dois outros romances de geração de escritores mineiros: O encontro marcado, de Fernando Sabino, e Os novos, de Luiz Vilela. Eis essa passagem:


É possível que o grande público esteja lendo Hilda Furacão (São Paulo: Siciliano, 1991), de Roberto Drummond, como o "brinquedo lúdico" proposto pelo autor, e é certo que alguns resenhista se mostraram irritados com esse ultrajante 1º de abril. Mas, são desleituras, porque, antes de mais nada, Hilda Furacão é o "romance de uma geração", a geração incuravelmente frustrada pelo 1º de abril que os acontecimentos políticos lhe pregaram: tinham um encontro marcado com a revolução fidelista de Che Guevara e foram surpreendidos pela revolução castelista de Olímpio Mourão. Assim, 1º de abril não é somente a data simbólica e sarcástica desta história, é também a chave para a sua leitura.
Nascido em 1939, Roberto Drummond estava com 25 anos em 1964, a idade ideal dos entusiasmos e ilusões revolucionárias; agora, um quarto de século mais tarde, amadurecido e posto à prova pelos fatos, ele se vinga da própria ingenuidade e procurá superá-la por meio do clássico exercício psicanalítico: a confissão no divã. Não é sem razão que a heroína frequenta um analista e o narrador consulta outro. De geração para geração, variam os encontros marcados: em 1956, o de Fernando Sabino [1923-2004] era com Deus, entremostrando, aliás, o mesmo desencanto existencial; em 1971, aos 27 anos, Luiz Vilela marcou o seu encontro com a vida literária, sua frívola superficialidade, pretensões injustificadas, mesquinharias, enganos e amarguras (Os novos), sátira de decepção amorosa que, segundo se diz, pôs de mau humor não poucos dos seus modelos, se não todos.
MARTINS, Wilson. Encontros marcados. In: ______. Pontos 
de vista (crítica literária). São Paulo: T.A.Queiroz,
1997. v. 13, p. 86-87. [Publicado no Jornal 
 do Brasil, em  17 out. 1992].

Registremos que consta, no final da primeira edição de Os novos, lançada em 1971 pela Gernasa, do Rio de Janeiro, a seguinte informação:

Belo horizonte, 1-11-66.
Iowa City, 25-11-68.

Como Luiz Vilela nasceu em 31 de dezembro de 1942, a escrita do romance teve início antes de o escritor completar 24 anos, antes mesmo de lançar o seu primeiro livro, e foi concluída pouco antes de Vilela completar 26 anos.

Embora esta seja, conforme a resenha acima de Wilson Martins, "a idade ideal dos entusiasmos e ilusões revolucionárias", Os novos está, segundo o crítico, em outro patamar.

Para Wilson Martins, o primeiro romance de Luiz Vilela é "um retrato tanto mais cruel quanto menos contestável", sendo "um testemunho e um documento" de "uma geração perdida, não por haver sido reprimida e perseguida, mas por não se ter sabido afirmar e impor enquanto geração" (MARTINS, Wilson. Ilusões perdidas. In: ______. Pontos de vista (crítica literária). São Paulo: T.A.Queiroz, 1995. v. 11, p. 391-392. [Publicado no Jornal do Brasil, em 20 out. 1984]).

sábado, 28 de janeiro de 2012

PERDIÇÃO: Resenha - 7

"Ninguém sai incólume de suas páginas"
.
Hildeberto Barbosa Filho, no "Contraponto", da Paraíba, em artigo na edição com data de 13 a 19 de janeiro de 2012, trata de "Luiz Vilela e seu novo romance".

Considera tratar-se, o protagonista, de um "filho pródigo às avessas"; afirma que Vilela descortina "a marca interior de cada um dos atores que vivencia a tragédia da vida"; considera que o faz, "sem digressões", "pelas ações dos personagens e, sobretudo, pelos diálogos".

Para Hildeberto, deste romance, por desvelar o "essencial das almas comuns e captar o som frágil das carências humanas", "ninguém sai incólume", por serem páginas que deixam "legado reflexivo", páginas que impõem ao leitor o exame dos "imponderáveis que cercam os passos de cada um de nós".
O articulista considera que tal força também está presente nas demais obras de Luiz Vilela.  

Para ler o texto completo, clique na imagem; para baixar o arquivo, clique na legenda:




O artigo foi publicado, originalmente, no jornal A UniãoJoão Pessoa, 
Paraíba, de 8 de janeiro de 2012, na seção "Lado B", p. 20, disponível 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vilela: "Este é o chão da arte: a liberdade"

10/07/2004 às 02:00:00 - Atualizado em 19/07/2008 às 15:44:27

Machado é um saco!- dizem os escritores

Num estimulante debate sobre contos, no terceiro dia da Flip [de 2004], o escritor carioca Sérgio SantAnna surpreendeu a platéia com uma provocação envolvendo um dos monstros sagrados da literatura brasileira. Falando de contistas que influenciaram seu trabalho, ele criticou ninguém menos do que Machado de Assis.

- Às vezes, por exemplo, pego um romance do Machado e digo para mim mesmo: que chato! Essa ironia de novo... - afirmou SantAnna, arrancando risadas da platéia.

No fim do debate, o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues, mediador do encontro entre SantAnna e o escritor mineiro Luiz Vilela, ironizou:

- O Sérgio deu a manchete deste encontro: Machado é um saco! Até porque jornalista tira tudo do contexto.

No contexto: SantAnna disse que lê ou relê alguns autores com olhos extremamente críticos, procurando defeitos e falhas, como estratégia para esvaziar sua própria obra de referências explícitas ao trabalho alheio. Com isso, acredita, sua obra pode ter hoje um estilo próprio, inconfundível. Além disso, afirmou que pode brincar com Machado por já ter lido a sua obra.

- Quem não leu, precisa ler -ressalvou.

Vilela disse que suas influências incluem humoristas e poetas, não apenas contistas. E deixou de lado a modéstia que caracterizou a maior parte de seus comentários.

- Sendo bem pernóstico, posso dizer que hoje já sou mais influenciador do que influenciado.

Vilela diz que recebe uma enorme quantidade de livros de novos autores para ler e que encontra em muitos deles traços claros de sua obra, caracterizada principalmente por contos aparentemente simples, mas de elaboração longa e trabalhosa.

- Já li um que copiava trechos inteiros de contos meus. Esse eu nem respondi - disse Vilela.

- Todo mundo quer ser artista, todo mundo quer aparecer de alguma forma - disse SantAnna. - Para quem sabe a dificuldade de se escrever, é triste ouvir alguém dizer deve ser bacana ser escritor.

O imenso trabalho de escrever, que nem sempre é percebido pelo leitor ao se deparar com seus contos claros e fluidos, foi resumido por Luiz Vilela, que disse já ter perdido o sono por causa de uma vírgula. Sobre o eterno debate entre experimentalismo e enredo na literatura, tema de algumas discussões na Flip, Vilela disse que acha tudo isso furadíssimo, uma bobagem.

- O escritor escreve o que quiser, escreve o que brota de dentro e não o que brota de fora. Não precisa ninguém dizer para um escritor sério fazer o melhor possível, nem a mãe dele. Este é o chão da arte: a liberdade.

Por Sérgio Rodrigues, no
 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bóris & Dóris - o filme

A novela Bóris e Dóris, de Luiz Vilela, foi adaptada como filme de média metragem (48min45seg), em 2007, pela turma de 3º ano do Curso de Letras Inglês/Português do Câmpus de Corumbá, da UFMS. Em 2010, a edição nº. 2 da revista CARANDÁ apresentou um dossiê sobre Bóris & Dóris - o filme


Para acessar o dossiê, clique aqui.

Para baixar o filme, na íntegra, em seu computador, clique aqui.

Para vê-lo, dividido em seis partes, clique nas imagens abaixo, com links para o canal do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela no Youtube:
  • 1. 1a. parte (abertura), 2min16seg:

  • 2. 2a. parte, 8min40seg:

  • 3. 3a. parte, 9min26seg:

  • 4. 4a. parte, 9min38seg:

  • 5. 5a. parte, 9min20seg:

  • 6. 6a. parte (final), 9min34seg:

A novela Bóris e Dóris, lançada em 2006 por Luiz Vilela, deu inicio  ao  projeto  do  escritor de ter toda a sua obra na Editora Record, tanto os novos livros quanto as reedições dos livros anteriores, muitos dele há muito esgotados.

De 2007 a 2009, Bóris e Dóris integrou a lista das leituras indicadas do Vestibular da UFMS. O filme foi realizado como atividade da disciplina Prática de Ensino, sob direção do professor Rauer Ribeiro Rodrigues. A exibição do filme, em caráter público ou privado, é livre, mas a comercialização do filme ou das exibições é proibida.

Para contatos com a equipe, pedido de informações ou notícia de exibições, utilize o email do GPLV: gpluizvilela@gmail.com.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Vilela e Ruffato: Um jogo de crenças

PERDIÇÃO e DOMINGOS SEM DEUS

O jornalista Maurício Melo Jr., no programa Leituras de 12 de janeiro de 2012, na TV Senado, na seção "Dica de leitura", analisa os romances Perdição, de Luiz Vilela, e Domigos sem Deus, de Luiz Ruffato, nomeando sua leitura de "Um jogo de crenças".

Eis o excerto do programa com a "Dica de leitura":


MELO JÚNIOR, Maurício. Um jogo de crenças. Leituras. Brasília, TV Senado, 
2012. Vídeo, 3min29seg. (Análise dos romances Domingos sem 
Deus, de Luiz Ruffato, e Perdição, de Luiz Vilela).

No programa, Maurício Melo Jr. entrevista o poeta e cronista Sérgio Vaz, que fala do lançamento do livro "Literatura, Pão e Poesia. Veja, aqui, a íntegra do programa na TV Senado.

Para baixar o excerto com a seção "Dica de leitura, clique aqui.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Torero, e os "Contos eróticos" de Luiz Vilela

José Roberto Torero, em http://blogdotorero.blog.uol.com.br/.

08/09/2010

Contos eróticos

Eu não gosto muito de livros de contos. Geralmente eles não são feitos para formar um livro, algo com unidade, de modo que há muitos que são um samba do crioulo doido, com cada conto apontando numa direção e não levando a lugar nenhum.
Não é o caso de “Contos Eróticos”, de Luiz Vilela.
Ele tem uma unidade de tema e de estilo que faz com que o livro seja realmente um livro, uma obra orgânica.
E os contos são muito bons (a não ser que você espere encontrar descrições de grandes orgias). Eles mostram cenas em que o sexo é o assunto principal, e isso é tratado com sutileza, boas surpresas e ótimos diálogos.
Há, por exemplo, a confissão de um jovem em que percebemos que o padre é que está pecando ao querer ouvir cada detalhe, um flerte entre dois primos que se reencontram já maduros, um tio safado que recebe a sobrinha no hospital, a briga de um casal que termina em sexo, um garoto que vê uma moça tomando banho etc...
Climas, cenas e histórias muito boas.
Luiz Vilela não é um inovador, mas um escritor com grande domínio da técnica do romance. Eu o colocaria entre os cinco bambambãs no gênero na literatura nacional.
Mas, estranhamente, ele é pouco badalado.
E acho que sei o motivo: ele não é um bom personagem.
Atualmente, para que um escritor seja interessante para a imprensa, ele é que tem que ser interessante, não o livro.
Como a maioria dos textos sobre literatura passou a ser feita por jornalistas e não mais por críticos, e como os jornalistas naturalmente buscam contar uma história, a vida dos escritores cresceu em importância, em detrimento da sua obra.
Nisso, Luiz Vilela sai perdendo, porque não tem uma vida especialmente interessante. Ele mora numa cidade média no interior de Minas (um sítio isolado seria muito mais charmoso), não é nem um octogenário nem um jovem em seu primeiro livro, não é uma bela mulher, o que ajudaria muito, não tem uma profissão curiosa (como compositor ou apresentador), não se diz mago, não é um agitador cultural nem é do tipo internético que tem twitter, facebook, orkut, blog e afins. A única coisa que ele faz é escrever bem.
E isso, hoje em dia, parece ser pouco.
Por Torero às 09h39
UOL Blog - Comentários
Você já tem o seu blog? Não?
Então crie o seu. É de graça.

[Cláudia] [São Paulo, SP] 
Adorei o comentário, é muito pertinente. Especialmente quando se vê autores sendo badalados pelo que são e representam e não por aquilo que escrevem. Isso me deixa mais tranquila, penso que ainda posso ter uma chance! Abraços.

12/09/2010 12:57

[Sonia Neves] [Osasco, SP] 
Torero, que lindo texto sobre o Luiz Vilela! Deu vontade de ler os contos. Vou comprar. Ahh, no gênero, eu também sou fã do Dalton Trevisan e da Clarice Lispector. Abraço alvinegro praiano meio "tristinho". Tô de ressaca hoje depois de ter ido ontem ao Pacaembu.

10/09/2010 16:53

[Thiago Esteves Nogueira] [São Paulo, SP, Br] 
Tomara que caia no vestibular do ano que vem. Entra Contos eróticos e sai Iracema, vaiada pelo estádio com mais de 1 milhão de vestibulandos...

09/09/2010 04:26

[Thamyres] 
Infelizmente temos que concordar que ser "apenas um excelente escritor" é pouco nos dias de hoje pra ser "de sucesso", isso acaba privando a maioria ter acesso à boa leitura. Contamos com sua ajuda para propagar bons escritores...

08/09/2010 22:55

[Rodrigo] [RJ] 
talvez se o Vilela participasse de algum reality show... Boa dica de leitura Torero, e está corretíssimo sobre esse impasse entre escritor e obra no Brasil. O estranho é que alguns desses escritores badalados mais por suas vidas que suas obras, reclamam exatamente disso, de que as pessoas sempre esperam ver suas vidas nos livros, e nem sempre acontece. Não sei se isso ocorre só no Brasil, mas certamente para um país em que se lê pouco, o impacto dessa cultura é gigante. Procurarei o "Contos eróticos". abraços, Rodrigo.

08/09/2010 18:51

[Davi Kikuchi] [São Paulo] 
Você não gosta muito de livros de contos? Não dá para fingir que são na verdade conjuntos de minilivrinhos, que só foram reunidos para o preço ficar mais em conta? ;-)

08/09/2010 18:38

RESPOSTA:
Acho que eu gostaria mais dos minilivrinhos.

[paulo hideto honda] [São José dos Campos,São Paulo,Brasil] 
Concordo plenamente,pois a obra tem que ser mais valorizada.

08/09/2010 17:35

[Danilo Otoni] [BH - MG] 
Luiz Vilela é realmente muito bom. Lembro quando passei no vestibular da UFMG e tinha uma obra dele para ser lida. Fiz questão de ouvir uma de suas entrevistas atentamente para poder "tirar proveito" na prova. Mas na primeira resposta de Vilela, percebi ali estava bem mais que um escritor. Ele foi logo respondendo: -Se eu tivesse que responder uma dessas perguntas que são feitas de meu livro, erraria todas! Genial!

08/09/2010 17:31

[Luis] [São Caetano do Sul] 
Colocações perfeitas, Torero. O que importa, nos dias de hoje, para um escritor ter sucesso na mídia, é tudo, menos a sua obra, infelizmente...

08/09/2010 17:29

[DanielQ] 
Sabe que eu li faz pouco tempo um ótimo livro de contos, que não foram feitos para formar um livro mas acabaram formando? Pois é, estou falando de "Zé Cabala e Outros Filósofos do Futebol"...

08/09/2010 17:23

[junior] 
Parabéns Torero !! incentivar a literatura em nosso país é raro.já lhe fiz críticas ácidas,e sei que ser crítico é muito fácil e cômodo,o correto seria cooperar primeiro e criticar depois,mas como não posso cooperar com você,pelo menos posso te elogiar e pedir que faça sempre isso no seu blog.

08/09/2010 16:12

[Andre Araujo] 
Tenho um pouco de pé atrás com a sua afirmação sobre livro de contos, sabe... Acho gostoso ler contos, independentemente de vir em uma salada de situações distintas. Porém, gosto muito mais de livros de contos que apresentem essa unidade. Tem por exemplo o Sérgio Rodrigues, com "O homem que matou o escritor" que eu recomendo... e que acabo de descobrir que vc tb recomenda na contracapa do livro... ok, vc venceu de novo. Mas me tire uma duvida: Se Luiz Vilela é um dos 5 grandes nomes nacionais... vc poderia indicar outros 3, já que um deles eu ja conheço?

08/09/2010 13:38

RESPOSTA:
Gosto também do Dalton Trevisan e do Verissimo.

[Eduardo Batista] [Diadema - SP] 
E qual personagem o Torero seria? Um esportista (corre e nada [nada do verbo nadar]), um torcedor de futebol ou outra personagem? abraço, DUDA.

08/09/2010 12:38

RESPOSTA:
Um cronista de futebol, o que não dá muito status no mundo literário.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Estes contistas são os caras

12/12/2007
 às 14:19 \ 

Eles são os caras

Ao trazer o mineiro Luiz Vilela no entrevistão do Paiol Literário e o gaúcho Sergio Faraco na seção Dom Casmurro, com a íntegra do conto “O céu não é tão longe”, a edição de dezembro [de 2007] do “Rascunho junta dois dos maiores contistas brasileiros vivos.

Ambos são leitura mais recomendável que nunca neste momento de vale-tudo estético e inflação contística galopante, em que qualquer texto cotó vem tirando onda de “conto”.

Nenhuma palavra dos editores indica que, ao juntar os dois mestres, o jornal curitibano quis fazer uma homenagem a essa brilhante geração de contadores de histórias – Faraco nascido em 1940, Vilela em 1942. Mas fez, e isso basta.