Ariovaldo Vidal
Professor do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH-USP
Jornal da USP, 26/03/2018
Em meados da década de 70, eu fazia o curso de Letras na FFLCH, mas andava também às voltas com teatro amador e por isso aparecia na Biblioteca da ECA algumas vezes, por conta do acervo de peças mimeografadas. Numa dessas vezes, estava no final de uma pequena fila de espera e vi no balcão um cartaz em PB que me chamou a atenção: nele havia uma fila e o último sujeito da fila, um homem na casa dos 30 anos, de terno “de bater” e com expressão cansada, olhava para trás atendendo ao chamado da legenda, que dizia: “Ei! Os escritores brasileiros estão falando de você”. Criava-se uma situação curiosa, um jocoso mise en abyme, pois eu era o último da pequena fila, que certamente nada tinha a ver com a fila simbólica do cartaz; esta falava de um Brasil de filas imensas que a literatura do tempo tematizava (com perdão do lugar-comum) kafkianamente. Mas o mais importante dessa imagem estava no fato de que os jovens escritores de então, seguindo ainda a lição do Modernismo, falavam da vida de seu leitor, agora perdido nos meandros de um país sujeito à ditadura e à burocracia.
A legenda se referia a um grupo de escritores jovens ou novos que estava fazendo por aqueles anos uma literatura que ganhava feição própria, identificando não propriamente um grupo, mas um movimento. De certo modo, se a literatura brasileira não entrava no boom da literatura hispano-americana por razões óbvias ou compreensíveis, o fato é que havia no Brasil daqueles anos um bunzinho de nossa literatura, com uma significativa penetração nos ambientes escolares, o que veio acompanhado de um trabalho editorial sagaz, especialmente concentrado na imagem da Editora Ática (edições ilustradas e chamativas, paratextos voltados à linguagem dos adolescentes, etc.), bem como da Editora Brasiliense, com suas coleções destinadas ao público jovem, as “cantadas literárias”, que traziam uma literatura em boa parte marcada de erotismo e aventura.
Dei essa pequena volta para chegar ao ponto que mais interessa: o romance brasileiro do período, e também ou sobretudo o conto brasileiro que se alastrou enormemente naqueles anos, queriam falar do presente do País, adotando nessa empresa muitas vezes uma linguagem despojada ou coloquial, de uma maneira particularmente nova, nem sempre feliz, uma linguagem de desrecalque (para usar um termo de Antonio Candido ao falar de 22), em que o palavrão, de livre curso, tinha mesmo uma conotação política. Se a matéria da literatura sempre fora a vida presente, os homens presentes, o fato é que agora havia um sentimento de urgência na literatura feita por esses novos escritores (e não só na ficção, nem só na literatura), urgência que dava ao conto e ao romance quase sempre uma feição de denúncia, querendo transformar a matéria realista imediata em alegoria do País, conforme a notação crítica de Davi Arrigucci.
Um dos autores mais característicos desse período completou recentemente 50 anos de literatura: Luiz Vilela. Vilela estreou com um volume de contos chamado Tremor de Terra, em 1967, ganhando com ele o Prêmio Nacional de Ficção, em Brasília. Depois desse vieram muitos outros livros e alguns prêmios, passando por Tarde da Noite (contos, 1970), O Fim de Tudo (contos, 1973), O Inferno É Aqui Mesmo (romance, 1979), Lindas Pernas (contos, 1979), Entre Amigos (romance, 1983), para citar apenas alguns, até chegar a O Filho de Machado de Assis (2016) – que eu saiba o mais recente – totalizando cerca de três dezenas de obras entre contos, romances, novelas e várias antologias.
A crítica já observou o que de certo modo é sentimento de grande parte dos leitores de Luiz Vilela, a saber, que sem se dar conta o leitor vai se sentindo personagem do autor. Mas quem é esse leitor, questão que sempre se impõe quando se fala de recepção? Não é fácil definir, até porque muitos leitores não têm essa empatia com a obra, mas é possível dizer duas ou três coisas sobre ele – ou sobre um desses leitores –, a partir de uma evidência de época e de alguns traços de seu personagem central, espécie de alter ego do escritor.
Como se sabe, as grandes cidades brasileiras começaram a inchar ainda mais aceleradamente na passagem dos anos 60 aos 70; e nesse movimento migratório, surgiu uma camada particular de viventes que vinham não do campo para a cidade, mas do interior para a capital, fenômeno que se deu em muitas partes do País. Era uma população jovem, formada de estudantes que pisavam pela primeira vez o chão de uma universidade (o primeiro da família a entrar no ensino superior, geralmente público), deixando para trás uma formação católica de classe média e a segurança do mundo estável e geralmente opressivo dos pais. Na cidade (e na universidade) encontravam também novas formas de sociabilidade, mais abertas e desafiadoras, concentradas na metonímia da “república”. Não era uma “juventude transviada”: era antes uma juventude em trânsito, que não se reconhecia mais no mundo católico dos pais, nem tinha chegado ainda onde queria ou sonhava, pois entre outras angústias o País vivia o entrave da ditadura; e esse era um dado novo: uma juventude que ganhava uma visão politica dos fatos, em meio ao anonimato da grande cidade.
Em muito a personagem central de Luiz Vilela é esse mesmo jovem, e não é por acaso que em sua obra haja um grande número de estudantes e adolescentes. O romance que melhor concentra esse universo de relações é Os Novos (1971), que conta a história de um grupo de universitários em Belo Horizonte, vivendo os impasses de escolhas novas, num país também em impasse. O romance se passa no final dos anos 60, no contexto do nefasto AI-5: Nei é a personagem central que, recém-formado, já dá aulas de filosofia, escreve contos, frequenta bares com os amigos, mantém uma relação afetiva com o pai distante, que às vezes vem visitá-lo, e vive o drama sentimental de fazer dos amantes dois inimigos.
O livro retoma de maneira clara a tradição mineira dos romances que misturam a crônica de grupo e a confissão do protagonista; é visível a presença de O Amanuense Belmiro (1937), de Cyro dos Anjos, nas cenas vivas da roda de amigos que contrastam com um lirismo subjacente ao protagonista (diga-se que no romance de Cyro, o lirismo está por toda parte, enquanto no de Vilela o prosaísmo está por toda parte); mas retoma também e de modo mais claro o livro de Fernando Sabino, O Encontro Marcado (1956), com o qual compartilha um mesmo grupo de amigos que dividem suas preocupações e impasses: “Estou cansado de tudo isso – disse Nei. – Cansado dessa confusão, cansado da literatura, cansado dessa cidade e dessa chuva, cansado até dessas nossas conversas, que não levam a nada. Dá vontade de sumir pra longe daqui”. E compartilha também o fato de ser o depoimento vivo de uma geração, na expressão de Alfredo Bosi para o livro de Sabino.
O romance possui um andamento solto (não desordenado), contando a história de uma geração de jovens escritores, não mais formados em medicina, farmácia ou direito, mas agora ganhando a vida com o magistério ou o jornal, e a caminho do universo da publicidade. Trata-se de um romance de geração, abusando de um prosaísmo pesado, com o palavrão correndo solto e – como romance de geração – tendo no bar o espaço por excelência em que transcorre a ação. Nele (ou neles) habitam as personagens que vivem os impasses de sua geração: além do protagonista Nei, aparecem seus dois amigos mais próximos Vítor e Zé, além de outros que transitam bastante ou pouco pelos mesmos espaços: Ronaldo, Martinha, Milton, Leopoldo, Queiroz, Dalva, Mário Lúcio, Gabriel e Telmo.
Nas conversas que preenchem o livro, aparecem os temas do período e daquele contexto: o papel da literatura, a comédia provinciana dos medalhões conservadores, a liberdade sexual (tratada na chave do preconceito quase o tempo todo), as saídas políticas contra o autoritarismo, etc. E o problema que mais avulta é o sentimento de impotência diante da situação política e a consequente autoironia com a literatura que fazem, por não sentirem vocação para a ação política; e algumas cenas são simbólicas nesse sentido: numa delas, Nei e alguns amigos assistem ressentidos (sentados numa mureta…) a exibição de heroísmo de alguns alunos que haviam sido presos numa passeata no dia anterior; em outra cena, num bar, cogitam as possibilidades de escolha: no primeiro chope, a saída é a revolução; num dos seguintes, a saída é o suicídio; e entre as duas possibilidades acabam escolhendo um filé a palito.
Ainda em outra cena, definem-se como sendo uma “esquerda festiva e manifestiva”; mas o romance não é uma sátira a esse comportamento, e o fato é que as angústias pequeno-burguesas (como dizia o chavão da época) de suas personagens são verdadeiras e garantem o melhor da obra; suas criaturas não dependem ou se explicam por um momento político (ainda que tão nefasto), e sim pelo processo histórico que ultrapassa e explica esse momento.
Não é difícil perceber a composição da tríade central: de um lado, Vítor, o poeta fracassado, que assume de vez ao final a vida burguesa de pai de família, funcionário público, agora “viciado em tevê” e que combate precariamente o vício da cerveja e as idas ao bar com uma horta que cultiva no fundo da casa; de outro, a figura pungente de Zé, funcionário escravizado a um banco, preso irremediavelmente aos cuidados com a mãe, sabendo que não fará nada de bom na vida, pois o talento – que todos reconhecem nele – ressecará na vida burocrática e doméstica a que está preso. Entre os dois, situa-se a figura discreta do personagem central Nei, aquele que parece encontrar uma saída, tantas vezes protelada e desacreditada.
A saída está indiciada numa cena em abismo no meio do romance, que antecipa o próprio romance que estamos lendo: os amigos decidem escrever uma peça – que acaba (mal) escrita e censurada – para denunciar e protestar contra a opressão política; ocorre que de início a peça não está saindo e Nei pondera que a discussão para a escrita pode ser a própria peça: “Está divertido. Essa preparação para a peça daria outra peça, talvez melhor do que a própria. Ou então: a peça nem chegaria a ser escrita”. E o romance que Nei escreverá (e que Vilela escreveu) é justamente a história da preparação para o romance, talvez melhor do que o próprio, relação entre a obra planejada ou desejada e a obra vicária e precária que acabou saindo, mas por isso mesmo mais visceral. No final da narrativa, diz o protagonista que irá retomar o romance e, quem sabe, conseguir escrevê-lo; de fato, é isso que acontecerá: depois de tanta negação, ele finalmente se encaminhará para seu encontro marcado.
Mas para além desse romance, a mesma personagem aparece em diferentes contos e novelas, com outros nomes e roupas, não sem um sentimento de desconcerto que se traduz num olhar solidário (da personagem ou do autor que subjaz ao texto) a outros viventes igualmente sofridos – as mulheres, os velhos, as crianças, os que passam por alguma tragédia. No caso das primeiras, trata-se de um olhar feminino que deixa ver uma condição de opressão num mundo que vai deixando de ser patriarcal; no caso dos segundos, o sentimento de rejeição, de inutilidade, num mundo que vai ficando cada vez mais jovem. Tudo isso filtrado por um olhar melancólico, que não deixa de se disfarçar muitas vezes em humor.
Não vai sem crítica um comentário à prosa do autor, pois a questão é saber o quanto do que estava preso ao momento (“estão falando de você”) não envelheceu com o tempo. Um incômodo evidente a muitos leitores (e a mim) é certo vezo do escritor em buscar um final impactante, que se traduz em revelação algo suspeita ou mesmo em carga patética. Por razões de gênero, isso é mais comum no conto que no romance, mas ainda assim – e por justiça com o autor – é necessário fazer uma leitura modulada do problema. De qualquer modo, sua linguagem sempre às voltas com um coloquial desataviado, seu diálogo que tantas vezes a crítica elogiou, o olhar de ternura para criaturas indefesas ou deslocadas são ainda motivos para seduzir novos e jovens leitores que acabarão sentindo-se personagens do autor.
Fonte: http://jornal.usp.br/artigos/a-prosa-de-luiz-vilela/. Acesso em: 27 mar. 2018.
terça-feira, 27 de março de 2018
A prosa de Luiz Vilela
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sábado, 3 de março de 2018
Yvonélio Nery Ferreira lança livro sobre a obra de Luiz Vilela
Yvonélio Nery Ferreira, professor
da Universidade Federal do Acre, lança livro, O Silêncio Incessante em Narrativas de Luiz Vilela, sobre a obra do escritor mineiro. Em
conjunto com a Editora Appris, convida a todos para o lançamento que acontece na
próxima quarta (07-03), às 20h, no Piso
Superior da Biblioteca da UFAC.
Obra de fôlego sobre a ficção de
Luiz Vilela, trata-se de uma ótima oportunidade para quem deseja conhecer
melhor a produção do autor. Segue comentário da Prof.ª Dr.ª Prof.ª Dr.ª Vera
Lúcia de Magalhães Bambirra (UFAC) sobre o livro de Yvonélio Ferreira:
Ler O silêncio incessante em narrativas de Luiz
Vilela, além de ser uma oportunidade de viajar pelos ditos e não ditos
do silêncio, também se constitui numa forma de conhecer a produção (contos,
romances e novelas) e os dados relevantes da vida de Luiz Vilela, mesmo para
aqueles que ainda não tiveram um contato mais íntimo com a narrativa do
escritor mineiro. Isso só é possível porque Yvonélio conseguiu apreender a
essência das criações literárias de Vilela, não apenas a partir daquilo que
ecoa das palavras, mas também dos seus diversos silêncios. Assim, quem imagina
que não há nada a dizer do silêncio será surpreendido pelos tantos silêncios
detectados e expressos a partir das análises cativantes de Yvonélio, pois à
medida que a leitura avança, o leitor, seguindo percursos dialógicos da
modernidade, é apresentado ao silêncio amoroso, é levado a transitar entre o
silêncio político e a política de silenciamento e, ademais, vai se emocionar
com os silêncios da velhice, esses de que muitos falam, imbricados aos ecos da
memória.
Yvonélio,
questionado pelo GPLV:
GPLV: Por que estudar literatura nos rincões da fronteira Oeste
e no meio da selva amazônica?
Yvonélio: Acho que estudar
literatura independe do lugar, não gosto muito de delimitações quanto a local
ou de denominações que limitem a literatura e seus estudos. No momento estudo
literatura aqui, por estar aqui.
GPLV: Por que estudar Luiz
Vilela?
Yvonélio: Acredito que entre os
vários motivos que me levam a estudar Luiz Vilela, há mais de 10 anos, está o
fato de suas obras me causarem profundas inquietações existenciais, levando a
certos questionamentos acerca do humano em si.
Lançamento:
Data: 07/03/2018 – 20h
Local: Universidade Federal do Acre – CZS
Piso superior da biblioteca
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
10º Seminário do GPL será em outubro
O 10º Seminário do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, acontecerá nos dia 8, 9 e 10 de outubro de 2018, em Corumbá, no Câmpus do Pantanal da UFMS. Haverá, como sempre, debate de pesquisas em andamento, debate de projetos de pesquisa, sessões de comunicações, mesas-redondas, palestras.
Normalmente, o GPLV realiza dois seminários a cada no, um no primeiro semestre e outro no segundo semestre. No entanto, agora, no marco da décima edição, o Grupo deliberou realizar somente um evento, com as pompas decorrentes do número redondo.
Os seminários anteriores foram realizados em Três Lagoas, onde, no PPG-Letras Mestrado e Doutorado / Estudos Literários da UFMS, o GPLV tem sua base, em Ituiutaba, Minas Gerais, em eventos com foco na obra do escritor Luiz Vilela, em Aquidauana e em Corumbá.
Também no espírito dos eventos anteriores, o mote e denominação do evento ressaltam linha de força que permeia as pesquisas do Grupo, mas não impedem que trabalhos de outra matriz ou tema sejam apresentados e debatido.
Em mais alguns dias, aqui mesmo, publicaremos novas informações e detalhes deste 10º Seminário do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
CONVOCATÓRIA - Reunião do GPLV
CONVOCATÓRIA
Reunião do GPLV
Estão convocados os membros do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, e convidados os demais interessados, para reunião do GPLV no dia 23/2, das 8h30 às 11h, com a seguinte Ordem do Dia:
1. Informes; 2. Publicações de livros em 2018; 3. Outras Publicações em 2018; 4. Eventos para o biênio 2028-2019; 5. Expediente.
Três Lagoas, 12 de Fevereiro de 2018.
Prof. Dr. Rauer Ribeiro Rodrigues
Líder do GPLV
CPAN/UFMS
Profa. Dra. Eunice Prudenciano de Souza
Co-Líder do GPLV
CPTL/UFMS
sábado, 20 de janeiro de 2018
SLMG comemora 50 anos do "Tremor de Terra"
O SLMG - Suplemento Literário de Minas Gerais - em sua edição nº 1.375, de novembro/dezembro de 2017, traz amplo material que "comemora a data e recorda a repercussão do aparecimento de Tremor de Terra cinquenta anos depois", conforme anota o editorial do Suplemento.
A coletânea "marcou a estreia em livro de Luiz Vilela, imediatamente reconhecido como um dos maiores contistas do país no dia mesmo da chegada do livro, quando foi noticiada sua conquista do Prêmio Nacional de Ficção, de Brasília, então o mais importante concurso literário do Brasil".
A edição é composta por diversas fotos da época e de outros momentos, e pelas seguintes seções: "Os 50 anos de um clássico", "Um tremor na literatura", "A autoanálise de Luiz Vilela" e "Tremor de Terra: críticas", em um total de 13 páginas.
Para baixar arquivo das páginas dedicadas a Luiz Vilela, clique aqui.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
TREMOR DE TERRA ENTRE OS MELHORES DO ANO
Daniel
de Mesquita Benevides, em “Seleção brasileira” – Revista Cult de dezembro – faz um balanço interessante do
que se produziu na literatura nacional no ano de 2017.
A
despeito de o ano ter sido sombrio por muitos motivos, alega que, em relação à
produção literária, temos muito a comemorar, pois mesmo com a pouca quantidade
de leitores, o Brasil demonstra vitalidade editorial. Segundo Benevides, pequenas
e grandes editoras têm feito um bom trabalho de resgate de nomes importantes da
literatura; e, dentre os vários relançamentos importantes, apontados por ele,
figuram, por exemplo, os nomes de Gilka Machado, Lima Barreto e Luiz
Vilela. Sobre a edição dos 50 anos de Tremor
de Terra, pela Record, ressalta: “O livro de contos do mineiro Luiz
Vilela marcou época e continua atual. Não bastasse a brevidade cortante de sua
prosa, ele é tido como um dos grandes autores de diálogos da nossa literatura.
Não à toa, foi bastante adotado para teatro, cinema e TV” (BENEVIDES, 2017, p.
41).
A matéria
completa pode ser conferida pelo link:
https://revistacult.uol.com.br/home/melhores-lancamentos-literarios-2017/
Desde Tremor de Terra, publicado em 1967, agraciado
com o Prêmio Nacional de Ficção, Luiz Vilela tem se destacado entre os grandes
nomes da prosa brasileira contemporânea. No corrente ano, além da nova edição
de Tremor
de Terra, tivemos sua última novela O filho de Machado de Assis,
também pela Record, com boa recepção pela crítica.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
AGENDA IMPERDÍVEL PARA 2018
CONVITE
Temos a satisfação de convidar para as
bancas de qualificação e defesa, de mestrado e doutorado, que acontecem em
fevereiro de 2018. Confira a programação:
Dia 21/2, qualificação do Profletras da Tatiane Montanher, O conto em sala
de aula, às 9h30.
Dia 21/2, defesa do Profletras do Edemir Bagon, O microconto em sala de
aula, às 14h30.
Dia 22/2, qualificação de mestrado da Maria do Socorro, O acervo de Alciene
Ribeiro, às 9h30.
Dia 22/2, defesa de mestrado da Natália Tano, Três faces da mulher em contos
de Alciene Ribeiro, às 14h30.
Dia 23/2, defesa de doutorado da Enedir Santos, Erotismo como resistência na
obra de três escritoras brasileiras, às 13h30.
Todas as bancas serão na
Unidade I da UFMS, Câmpus de Três Lagoas.
sábado, 2 de dezembro de 2017
DISPONIBILIZADA DISSERTAÇÃO SOBRE TREMOR DE TERRA
A dissertação A simbologia dos nomes em Tremor de Terra, de Luiz Vilela, de
Lucas Rodrigues Neves, integrante do GPLV, defendida em julho do corrente ano, sob
orientação da Prof.ª Dr.ª Kelcilene Grácia-Rodrigues, na UFMS, câmpus de Três
Lagoas, está disponível na Aba Fortuna Crítica.
Eis o resumo da dissertação:
Este estudo visa a
analisar o primeiro livro de contos do escritor mineiro Luiz Vilela, Tremor de Terra
(1967), a partir de um estudo onomástico das personagens. Acreditamos que a
nomenclatura das personagens não ocorre de forma aleatória, constituindo-se em
signos dispostos de significado. Ao pensarmos no texto ficcional como um
conjunto, descrevemos os efeitos de sentido dos contos, nos quais as
personagens são nomeadas de forma a compor um todo significativo com a cena.
Tal estudo nos propicia um modo de aproximação do fazer narrativo do escritor.
O aporte teórico da pesquisa tem embasamento nas obras que tratam sobre a
importância dos nomes das personagens, como, por exemplo, o ensaio de Ana Maria
Machado, Recado do nome, e o Dicionário de nomes, de Nelson Oliver. Além dos
estudos citados, a Bíblia é também material decisivo para a investigação, por haver
contos em que a nomeação das personagens fazem referência a personagens
bíblicas. Na análise dos contos nos valemos, também, da recepção crítica ao
Tremor de Terra, de modo que constituímos uma pequena fortuna crítica sobre o
livro. Dessa forma, a percepção da nomenclatura das personagens como fator
decisivo para a construção narrativa justifica a investigação à primeira obra
do autor, visto que o trabalho onomástico realizado homologa a significação dos
contos.
Palavras-Chave: Conto.
Literatura brasileira. Onomástica. Personagem. Teoria do conto.
Veja a dissertação completa aqui.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DO GPLV
CONVOCAÇÃO
Ficam convocados os integrantes do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, e convidados os demais interessados, para reunião do GPLV, no dia 11 de novembro, sábado, no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas, das 9h às 12h, para discutirem e deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Informes;
2. Avaliação 2017;
3. Planejamento 2018.
Três Lagoas, 04 de novembro de 2017.
Rauer Ribeiro Rodrigues/Líder do GPLV
Eunice Prudenciano de Souza/Co-Líder do GPLV
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Seminário do GPLV tem debates sobre Luiz Vilela
O 9º Seminário do GPLV, que acontece de 25 a 27 de outubro na UFMS de Três Lagoas, mantendo a tradição do evento e mesmo sua razão maior, realiza debates de projetos de pesquisa por iniciar ou no início, e o debate de relatórios de pesquisa já em andamento ou mesmo próximo da finalização.
Esses debates têm qualificado as pesquisas realizadas, propiciando enriquecimento do trabalho final, e têm sido fonte de aprimoramento constante dos estudos realizados no âmbito do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida. Tal benefício não é só do projeto ou relatório debatido, mas de todos que assistem ao evento, pois as orientações, dicas, críticas e comentários são válidos para outros objetos e outros estudos.
Três pesquisas em andamento sobre a obra de Luiz Vilela serão debatidas no evento: duas de doutorado e uma de mestrado, conforme se pode verificar pelo título das pesquisas, abaixo. Outros projetos também contemplam a obra de Vilela, em especial a de Ronaldo Vinagre Franjoti, de doutorado, e a de Tatiane Dias Montanher, mestrado pelo PROFLETRAS.
As sessões acontecem na sexta-feira, dia 27, das 13h às 17h10. Para mais informações sobre o evento, clique aqui. Eis os debates programados para este 9º Seminário do GPLV:
Mesa
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Projeto / Autor
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Debatedor
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1.
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1.1. O Hibridismo de Gêneros na Prosa de Wilson Bueno – Projeto de Doutorado de Eliza da Silva Martins Peron
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Márcio Scheel
(UNESP / SJRP)
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1.2 Luiz Vilela: da Face Pública à Ars Poetica – Projeto de Doutorado deRodrigo Andrade Pereira
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Rogério da Silva Lima
(Abralic / UnB)
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1.3 Ruínas e Modos de Narrar em A Cabeça, de Vilela, e em Sete Contos de Fúria, de Vieira – Projeto de Doutorado de Marcos Rogério Heck Dorneles
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Márcio Scheel
(UNESP / SJRP)
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1.4 Não é Nada: Um Estudo Sobre a Presença do Niilismo no Conto Brasileiro Contemporâneo – Projeto de Doutorado deRonaldo Vinagre Franjotti
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Rogério da Silva Lima
(Abralic / UnB)
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2.
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2.1 Caracterização de Personagens e Le-tramento Literário – Pré-Projeto de Pesquisa do PROFLETRAS de Tatiane Dias Monta-nher
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André Dias
(UFF)
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2.2 A esperança é um doce: o acervo de Alciene Ribeiro, o pai bêbado e o filho de pinguço – Relatório de Pesquisa de Mestrado de Maria do Socorro Pereira Soares Rodrigues do Carmo
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Maria Cristina Cardoso Ribas
(UERJ)
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2.3 Jardim ensimes-mado: A vertigem metafórica de Claudia Roquette-Pinto - Projeto de doutorado de Eloiza Fernanda Marani
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André Dias
(UFF)
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3.
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3.1 Acovardamento e silenciamento em Os Novos, de Luiz Vilela – Projeto de Mestrado deMateus Antenor Gomes
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Luiz Gonzaga Marchezan
(UNESP / ARARAQUARA)
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3.2 Mulheres Protago-nistas na Literatura Juvenil Contemporâ-nea Brasileira – Projeto de Doutorado de Maisa Barbosa da Silva Cordeiro
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Tânia
Regina
Oliveira
Ramos
(UFSC)
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3.3 Formas espaciais nos romances de Adriana Lisboa – Projeto de Doutorado de Osmar Casagrande Júnior
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Luiz Gonzaga Marchezan
(UNESP / ARARAQUARA)
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3.4 LITERATURA E HIS-TÓRIA: ferramentas teóricas e metodo-lógicas da Crítica Literária amparada no Materialismo Histórico como ins-trumento de ensino interdisciplinar de História e de Lite-ratura – Projeto de Pós-Doutorado de Alfredo Ricardo Silva Lopes
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Tânia
Regina
Oliveira
Ramos
(UFSC)
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Seminário na UNIMONTES tem minicurso e palestra sobre Luiz Vilela
De 16 a 18 de outubro foi realizado, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, o IX Seminário Nacional de Pesquisa em Literatura e Criação Literária da UNIMONTES, com o apoio da CAPES, dop CNPq, da Fapemig e do Finep.
No dia 18 aconteceu a palestra "O Filho de Machado de Assis, a novela de enredo de Luiz Vilela", proferida pelo Prof. Rauer Ribeiro Rodrigues. No dia 19 o Prof. Rauer ministrou o minicurso "Aspectos da contística de Luiz Vilela: um Tremor de Terra aos 50 anos". A palestra, na forma de artigo, será publicada nos Anais do evento.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Em abril de 1967, em Belo Horizonte, o jovem Luiz Vilela, então com 24 anos, lançou seu primeiro livro, Tremor de Terra. Na noite do lançamento, chegou de Brasília o telegrama com a notícia de que aquela coletânea de contos ganhara o Prêmio Nacional de Ficção, desbancando alguns escritores consagrados e gerando saborosas histórias de bastidores. O volume se firmou, sendo seguidamente republicado por editoras de alcance nacional, e chega agora – nos seus 50 anos – à 10ª edição, constando das leituras obrigatórias do vestibular da UNIMONTES. Por seu lado, Luiz Vilela se consolidou como um dos maiores contistas da literatura brasileira em todos os tempos, e atualmente seus lançamentos – romances, novelas ou contos – alcançam repercussão crítica e obtêm premiações expressivas. Trataremos, neste minicurso, dos contos do livro, apresentado inicialmente um panorama da sua diversidade formal, estilística, e discorrendo sobre algumas das invariantes temáticas que retornarão obsessivamente nas obras posteriores do escritor. Em um segundo momento, à maneira de uma oficina pedagógica, trabalharemos coletivamente na análise de alguns dos contos, aprofundando as questões gerais apontadas na primeira parte do curso.
Leituras prévias: Tremor de terra, de Luiz Vilela. (Recomenda-se que o livro esteja em mãos durante o curso.)
Data: 18 de Outubro, 2017
Horário: 08:00 – 12:00 | Local: Unimontes
Vagas Limitadas
Para se inscrever entre em contato pelo e-mail: crimesnaliteratura@gmail.com
Horário: 08:00 – 12:00 | Local: Unimontes
Vagas Limitadas
Para se inscrever entre em contato pelo e-mail: crimesnaliteratura@gmail.com
o minicurso é gratuito para inscritos no evento.
Público alvo: Estudantes das licenciaturas em letras e professores de Literatura que atuam no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.
Confira a programação completa do IX Seminário de Pesquisa e Criação Literária do Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Unimontes:
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Simpósio em Corumbá tem minicurso sobre o romance "Graça", de Luiz Vilela
Inscrições Abertas Para Simpósio
Estão abertas as inscrições do Seminário
do GPLV: Simpósio A Escrita Feminina, tanto para ouvintes quanto
para apresentação de trabalhos. O evento será dos dias 5 de outubro ao dia 7 de outubro,
no Câmpus do Pantanal da UFMS, em Corumbá. No dia 6, no período da manhã, das 7h às 11h10, ocorrerão as oficinas pedagógicas e os minicursos. Entre eles, um minicurso abordará o romance Graça, de Luiz Vilela, a partir da perspectiva da personagem protagonista.
As comunicações, para as quais as inscrições estão abertas, também serão no dia 6 de outubro, e ocorrerão das 13h às 17h10, em salas do Bloco H.
Veja detalhes do Câmpus na aba local
do evento,
em < https://simposioescritafeminina.blogspot.com.br/p/local-do-evento.html
>
Para se inscrever com apresentação de trabalho, individual ou em
coautoria, siga os passos indicados na ficha disponível na aba inscrições, em < https://simposioescritafeminina.blogspot.com.br/p/inscricoes.html
>.
É necessário que tenha pronto o resumo do trabalho com cinco
palavras-chave e no mínimo 200 palavras (no máximo, 300). Se houver coautoria,
é necessário que tenha em mãos o nome completo do co-autor, o RG, o e-mail e a
data de nascimento; deve ainda informar a maior titulação acadêmica de cada um
dos autores.
Solicitamos que graduandos e mestrandos apresentem trabalho em coautoria
com o orientador, considerando-se, claro, que o professor deve participar
efetivamente da concepção e da escrita do texto.
terça-feira, 22 de agosto de 2017
Próxima reunião do GPLV será no dia 02 de setembro
Ficam convocados os integrantes do Grupo de
Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, e convidados
os demais interessados, para reunião do GPLV no dia 02 de setembro, sábado, no
Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas, das 8:30h às 11:30h, para discutirem e
deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Informes;
2. Simpósio
A escrita feminina, a ser realizado no Câmpus do Pantanal da UFMS,
Corumbá, nos dias 05, 06 e 07 de outubro de 2017;
3. 9º
Seminário do GPLV, a ser realizado no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas,
nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 2017;
4. Debate de
textos literários (cada um deve levar sua proposta);
5. Eventos e
publicações.
Três Lagoas, 22 de agosto de 2017.
Rauer Ribeiro
Rodrigues/Líder do GPLV
Eunice
Prudenciano de Souza/Co-Líder do GPLV
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Mayara Amaral (1989 - 2017)
"Quem é Mayara Amaral?
Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de um crime que parece cada vez mais banal na nossa sociedade: o FEMINICIDIO. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita... por ser mulher.
Em nenhuma matéria na imprensa vi essa palavra – feminicídio – talvez porque seja difícil para uma sociedade ter a consciência de que mais uma vez falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.
Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.
Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?
Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.
Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.
Quando escrevem que Mayara era a "mulher achada carbonizada" que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia "namorado" hiper-sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.
Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.
Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.
Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que o Ministério Público não aceitará esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.
Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual... Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.
Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos. E em seguida, ela sofreu um homicídio qualificado: por motivos torpes, sem chance de defesa, por meio cruel, em emboscada, contra uma mulher que tinha uma relação afetiva com um dos assassinos. E só então levaram seus poucos pertences. Parem de tentar qualificar o caso como um roubo seguido de morte (latrocínio), como se fosse o roubo a motivação maior dessa barbárie!
O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML. “Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.
A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.
Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino."
Fonte: Pauliane Amaral/Facebook.
Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de um crime que parece cada vez mais banal na nossa sociedade: o FEMINICIDIO. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita... por ser mulher.
Em nenhuma matéria na imprensa vi essa palavra – feminicídio – talvez porque seja difícil para uma sociedade ter a consciência de que mais uma vez falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.
Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.
Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?
Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.
Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.
Quando escrevem que Mayara era a "mulher achada carbonizada" que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia "namorado" hiper-sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.
Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.
Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.
Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que o Ministério Público não aceitará esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.
Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual... Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.
Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos. E em seguida, ela sofreu um homicídio qualificado: por motivos torpes, sem chance de defesa, por meio cruel, em emboscada, contra uma mulher que tinha uma relação afetiva com um dos assassinos. E só então levaram seus poucos pertences. Parem de tentar qualificar o caso como um roubo seguido de morte (latrocínio), como se fosse o roubo a motivação maior dessa barbárie!
O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML. “Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.
A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.
Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino."
Fonte: Pauliane Amaral/Facebook.
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