12 de novembro de 2008.
Disse o contista Luiz Vilela, em entrevista, que não via no escritor um papel messiânico, mas um papel higiênico. Faz sentido, sobretudo como complemento da função purgativa da literatura. (http://www.jczamboni.com.br/NOTAS40.htm).
28 de outubro de 2005.
Depois de aula sobre gêneros literários, um aluno pergunta do qual mais gosto. O escritor Luiz Vilela, perguntado em entrevista sobre suas preferências em narrativa — conto, novela, romance —, disse ficar com os três: a loira, a ruiva e a morena... Além de conto, novela, romance, gosto também de poesia, ensaio, teatro, memórias, carta, diário. São as fases da lua, mas a lua é uma coisa só. (http://www.jczamboni.com.br/NOTAS2.htm).
3 de fevereiro de 2007.
BÓRIS E DORES
José Carlos Zamboni
Luiz Vilela de livro novo, Bóris e Dóris (Record, 2006, 94 páginas). Li em duas horas, enquanto esperava a fila do Bradesco.
Conto longo ou novela? Nossa tradição editorial, sem a permissão dos professores de teoria literária, conseguiu rebatizar de novela o que, na verdade, seria um conto longo, quando editado sozinho e esticado pelas artes da diagramação. A universidade chia, mas engole a espúria nomenclatura.
Particularmente, gosto desses contos longos alargados pela editoração, com as páginas menos pesadas de texto, lembrando livros de poesia. É uma diagramação que ressalta a arte dos bons escritores. Dizem que as edições de Machado na velha Jackson — W. M. Jackson INC., pra ser mais exato — não são muito confiáveis, mas era com grande prazer que eu lia aquelas páginas com poucas linhas, quase apalpando palavra por palavra, numa espécie de braile mental.
O novo livro do Vilela lembra um pouco a novela anterior do escritor, Te amo sobre todas as coisas: quase a mesma extensão, longo diálogo de casal encrencado, estilo seco e perfeito. Os namorados do Te amo agora estão casados, o que faz de Bóris e Dóris, de algum modo, uma continuação da novela anterior.
O enredo é tchekhovianamente discreto. Boris, sessenta anos, é empresário, está em viagem para convenção da empresa e levou Dóris, trinta e sete anos, esposa carente e depressiva. Quase toda a história se passa no hotel Campestre, durante o café da manhã: é a conversa de marido e mulher, enquanto ele espera o motorista que o levará à reunião que, presumivelmente, o consagrará como presidente do grupo empresarial.
Falam sobre tudo: os negócios, a vida, a morte, a solidão, o casamento já operando em vermelho. Por trás do humor, a sugestão do que vai acontecer em breve com a esposa, que já começa a ensaiar os primeiros passos do adultério e sobretudo da culpa. Termina com desfecho inesperado.
O livro não tem sexo explícito, nus frontais ou traseiros, sodomizações, como costumava haver em algumas obras do Vilela. Nem uma única trepadinha, pois nosso Boris deixava sua balzaquiana exposta a uma seca danada. E Dóris ainda não era mulher de se jogar fora: depois de uma caminhada pelo entornos bucólicos do hotel, vestia camiseta decotada e short curto, que bem ressaltava o belo bumbum arrebitado que Deus lhe deu. Era como estava vestida naquele café-da-manhã, pronta para um ataque que não acontecia, pois as baterias do nosso capitão de indústrias estavam voltadas para outros horizontes e arrebites.
O efeito dessa escamoteação sexual é deliciosamente machadiano: a história, com as dores da mulher desprezada, fica imensamente mais sacana do que se tudo estivesse à mostra. Algum maldoso diria que Vilela está na menopausa literária. Prefiro dizer que Bóris e Dóris é a obra mais erótica e mais madura do contista de Ituiutaba.
Há várias boas sacadas de estilo. Como isto não é artigo de revista acadêmica, posso citar só uma: em exatas duas linhas e meia, na página trinta e nove, Vilela mostra uma alucinação de Dóris: “De repente, as montanhas mexeram-se, ondularam-se e abriram-se, formando uma boca — uma boca obscena, uma boca...” É tudo. Quantas páginas não gastaria Clarice Lispector, genial quando conseguia controlar a verborréia, para obter efeito parecido?
03/02/2007
http://www.jczamboni.com.br/boris.htm
"Formou-se em Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Estreou na literatura aos 24 anos, com o livro de contos Tremor de terra, pelo qual recebeu o Prêmio Nacional de Ficção em Brasília. Participou de vários projetos literários como A Revista e a Página dos Novos, editada pelo jornal Estado de Minas.
Luiz Vilela também foi premiado no I e II Concurso Nacional de Contos, do Paraná."
muito admirado por mim e por muitos outros ja que seus contos e romances já foram publicados em vários países, como Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Suécia, Polônia, República Tcheca, Argentina, Paraguai, Chile, Venezuela, Cuba e México.
Também acho curioso o fato de seus contos não terem final, sempre fica à mêrce da imaginção do leitor determinar o final.
sou atriz do grupo MECA e estou encantada com este espaço. O blog está lindo! Parabéns a professora Gyzely e a vocês! Fiquei muito feliz em ler os comentários feitos por vocês! É isso aí!! Estão bem "por dentro" do estilo de Luiz Vilela!
Sou uma admiradora da obra desse escritor,cuja obra tive o privilégio e o prazer de estudar e encenar no espetáculo "Meca encena Luiz Vilela".
Estamos empolgados para apresentar pra vocês!!! Nãpo deixem de visitar o site do Teatro. atualizei e agora vcs podem conferir as fotos do espetáculo!! dêem uma olhada lá! Será que vcs conseguem reconhecer os contos pelas fotos?
beijos
Juliana Freitas
www.teatrovianinha.com.br
=)
PS: Estou ansiosíssima para vera peça novamente..
E após ter alcançado seus objetivos,depois te todo esse sucesso voltou para sua cidade natal,onde se encontra em um sítio.
Eu achei interessante os contos do Luiz porque ele trata com simplicidade fatos do dia-a-dia, e fatos que podem acontecer com quase todo mundo; O fato de seus livros serem conhecidos por todo o mundo também é bastante interessante porque eu não conhecia nenhuma obra brasileira que ja foi traduzida e levada para outros países.
É isso Ae Gyzely =D
muito bom mesmo...
principalmente o climax do conto "primos" que é muito atentador...
flw galera
Ele nasceu em ituiutaba(MG) no ano de 1942,publicou seu primeiro artigo em 1956 num jornal de estudantes.
Formado em filosofia,ele morou em São Paulo,onde foi jornalista do "jornal da tarde",passando a publicar em diversos periódicos os seus trabalhos literários.Correu o mundo,viajou pela Europa,foi convidado a lecionar nos Estados Unidos e para ser jurado do Prêmio Casa de las Américas,em Cuba.Hoje, de volta a Ituiutaba vive em um sitío onde cria vacas leiteiras.
O que mais me chama a atenção é o fato de ser de ituiutaba um artista tão grandioso!!!
Quais contos Luiz Vilela mais lhe chamam a atenção?