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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vilela fala sobre "Tremor" à Editora Record

http://www.blogdaeditorarecord.com.br/2017/06/07/tremor-de-terra-de-luiz-vilela/



ENTREVISTAS

“Tremor de terra”, de Luiz Vilela

  
Por Nelson Vasconcelos

Grande contador de histórias, Luiz Vilela não é exatamente um homem de muitas palavras – pelo menos na hora de dar entrevistas, que ele só concede por email. TV e rádio, nem pensar. Tudo a ver com sua mineiridade. Nascido em Ituiutaba (1942), foi para a cidade mineira de pouco mais de cem mil habitantes que Luiz Vilela voltou, em meados dos anos 1970, depois de viver em São Paulo, EUA e Espanha. É lá que ele encontra a paz necessária para costurar sua obra, tão extensa quanto premiada.
Um bom exemplo da sua categoria como contista é “Tremor de terra”, que está completando 50 anos de “vida” com nova edição pela Record. Lançado em 1967, quando o autor tinha apenas 24 anos, o livro ganhou logo o Prêmio Nacional de Ficção, abrindo caminho para Luiz Vilela inscrever seu nome entre os escritores de maior destaque no país. Outros livros vieram, assim como muitos outros prêmios – incluindo o Jabuti de 1973, o PEN Clube do Brasil 2012 e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras em 2014. Seus livros também mereceram inúmeras traduções e adaptações para teatro, cinema, televisão.
Numa curta entrevista para o blog da editora, ele, que está revisando o seu primeiro romance, “Os novos”, de 1971, e que sairá em 2018 pela Record, afirmou: “A literatura só me deu alegrias”.
“Tremor de terra” chega às livrarias neste mês de junho.
“Tremor de terra” comemora 50 anos. Você costuma reler seus livros?
Sim, costumo. É bom a gente de vez em quando dar uma olhada no que já fez. Isso dá ânimo para seguir em frente e fazer novas coisas.
 Você guarda um xodó especial por algum de seus livros? 
Não. Como eu já disse em outras ocasiões, cada livro meu foi, em cada época, o melhor que eu pude fazer. Assim, eu gosto igualmente de todos.
  Quais escritores, brasileiros e estrangeiros, fizeram a cabeça do Luiz Vilela dos anos 1960?
Eu li muitos romancistas, poetas, dramaturgos, críticos, filósofos, historiadores, humoristas.  Todos, de uma forma ou outra, foram importantes para mim.
Quais escritores chamam hoje a sua atenção?
Nenhum. O que não quer dizer que eu ache que não há hoje bons escritores, nem que eu tenha lido tudo o que ultimamente se publicou.
Me diga, por favor, cinco escritores “obrigatórios, seja de ficção ou não, para quem quer conhecer o Brasil.
Obrigatórios, não sei. Mas cinco é pouco.Teria de ser pelo menos uns cinquenta.
Quais as maiores alegrias e as maiores tristezas que a literatura proporcionou a você?
A literatura só me deu alegrias.
O Brasil está vivendo uma fase politicamente turbulenta. Experimentando um leve exercício de imaginação, você é capaz de dizer para onde estamos caminhando?
Não, não sou capaz. Mas estamos caminhando, e isso, a meu ver, já é algo bom.
 Em que projetos literários você anda trabalhando?
Atualmente estou às voltas com a revisão das provas da nova edição, a terceira, do meu primeiro romance, “Os Novos” (1971), que deverá sair no ano que vem, pela Record.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"De cara nas letras" faz resenha de "O Fim de Tudo"

Resenha #155: O Fim de Tudo - Luiz Vilela

20
ABR
2016
Lido em: Abril de 2016
Título: O Fim de Tudo
Autor: Luiz Vilela
Editora: Record
Edição: 2
ISBN9788501104823
Gênero: Contos brasileiros
Ano: 2016
Páginas: 240


Avaliação:



RESENHA


Luiz Vilela, autor mineiro, é considerado um dos melhores contistas brasileiros. Ele nasceu em 1942, 
e em sua adolescência, aos treze anos, já começou a escrever e ter contos publicados. Não demorou 
muito para ter seu trabalho reconhecido em concursos que desbancava autores já consagrados da 
época. 


"O Fim de Tudo" foi originalmente publicado em 1973, por a editora Liberdade que o próprio Luiz 
Vilela fundou em parceria com um amigo em Belo Horizonte, ganhando destaque e o prêmio 
Jabuti na categoria melhor livro de contos. 

Em 2016, pelo Grupo Editorial Record, "O Fim de Tudo" ganha sua segunda edição com direito a 
revisão. A segunda coletânea de contos do autor é composta por 24 contos que de alguma forma 
retratam o fim em contextos diferentes. Em uma coletânea de contos é normal encontrar contos 
que são sensacionais, alguns medianos e outros nem tanto assim, porém, Vilela conseguiu 
selecionar bem as obras que entraram no seu livro, você lê e não encontrar um conto do qual não 
goste.


Ganham destaques "A volta do Campeão", conto no qual um senhor cansado da monotonia de 
ficar em casa sai e volta a ser criança; "Monstro" que retrata bem nossa sociedade cada 
vez mais sensacionalista; "Surpresas da Vida", que traz um reencontro entre aluno e 
professo, relembrando os velhos tempos de escola, o que acontece também em "Primo", só que 
nesse último segredos guardados no íntimo chegam ao dia final e são revelados; "Carta", 
construído de forma epístola, traz uma confissão e uma sentença; "Um Rapaz Chamado Ismael", 
que se passa em um bar com flashback numa redação de jornal e traz um jovem jornalista 
desiludido com a profissão e "O Fim de Tudo", que nos alerta sobre o caos mundano em que 
estamos vivendo e o desmatamento que o homem causa na natureza.


Enfim, destaquei esses como mais marcantes, mas justamente para não falar de todos. Além dos 
citados, há outros que são muito bons e que notamos claramente que apesar de escritos há mais 
de 30 anos, possuem a qualidade de serem tão atuais quanto como se tivessem sido escritos 
hoje. As situações são verdadeiros retratos do nosso cotidiano, tem até coisas bem simples que nas 
mãos do Vilela um novo olhar. Como primeiro livro lido do autor, creio que seja uma ótima 
porta de entrada para aqueles que não conhecem seu trabalho.

                                                                                                                                                  Até logo!

                                                                                                                  http://decaranasletras.blogspot.com.br/2016/04/resenha-155-o-fim-de-tudo-luiz-vilela.html

8 comentários:

  1. Não conhecia o autor e estou impressionada, estou conhecendo um universo inteiro de escritores mineiros esses dias auehuaehuae Mas enfim... Eu gostei da capa, achei muito limpa e agradável, como se a ideia do fim bastasse por si só.

    http://notasmentaisparaumdiaqualquer.blogspot.com/
    Responder
  2. Livros de conto não costumam chamar muito minha atenção, porém gostei bastante do tema que o autor usou para escrever que e o fim de tudo, e isso me fez ficar curiosa para saber como ele vai aborda isso de várias maneiras. Gostei bastante de saber e conhecer esse autor que e mineiro como eu.
    Responder
  3. Não conhecia o autor... Bem interessante!
    Responder
  4. Amei essa nova edição para o livro, esse autor genial que consegue escrever sobre diversos assuntos, confesso que fiquei bastante curiosa para conferir o conto '' Monstro'' por mostrar nossa sociedade, gosto de autores que conseguem escrever de uma maneira simples, fácil, que torna a escrita relevante por muitos anos, não só em sua época
    Responder
  5. Olá, tudo bem?
    Eu gosto bastante de contos e não conhecia o autor. Adoro livros de sentido atemporal o que parece justamente ser o caso de O Fim de Tudo. Como o livro é fininho vou tentar encaixa-lo nas minas próximas leituras, ler nem que seja um conto dele.
    Responder
  6. Essa edição me deixou mais curioso, amo quando acabo sendo inspirado por algum livro, acho que o autor tratara de maneira única sobre temas da vida e morte, com aquele drama que não falta em suas obras, acho que o autor devia ter explorado uma linguagem mais conhecida, mas espero conhecer seus contos e tirar minhas conclusões.
    Responder
  7. Eu gosto muito de livros de contos, apesar de não ler tanto quanto eu gostaria, e quando eu olhei esse livro pela primeira vez, eu pensei que seria um livro que tratava mais sobre a morte, e depois descobrir que não era bem assim.
    Eu até já até tinha lido algumas resenhas sobre esse livro e tinha deixado passar, mas acho que agora vou reconsiderar. O livro parece ter uma boa dose de nostalgia e eu gosto desse toque em textos curtos *-*
    Gostei bastante da resenha e fiquei com vontade de ler os que você indicou, ainda mais ao saber que apesar de tanto tempo que já foram escritos, continuam sendo atuais. Beijo :)
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  8. Olá Pedro tudo bem?
    Espero que tenha sido você mesmo que escreveu esta resenha, afinal esse livro é bem o seu estilo. Enfim, nunca li nenhum livro de conto, ops, me lembrei e já li sim! Foi uma experiência bem legal, fora da minha zona de conforto, mas algo bem interessante e que me atribuiu bastante. Concordo com você quando diz que é realmente dificil achar um livro de conto em que você goste de todos. Não tenho muita experiência no assunto, mas do pouco que já li pretendo me aventurar mais vezes e O Fim de Tudo parece ser um ótimo candidato.

    Abraços, Carlos.

sábado, 26 de novembro de 2016

Artigo aborda aspectos zooliterários em Manuel Bandeira e Luiz Vilela


     Partindo do pressuposto de que, em textos literários, “os animais, os objetos e os conceitos que nele desempenhem funções de agentes se encontram inevitavelmente antropomorfizados, mesmo que só implicitamente, porque o homem projeta neles os seus valores ou exprime através deles os seus valores (que podem ser os valores de um anti-humanismo)” (Vitor Manuel Aguiar e Silva, Teoria da Literatura, 8ª ed., 2007, p. 694), as autoras do artigo “O animal como figura representativa do descompasso amoroso e da solidão humana” abordam a relação entre homem e animal na literatura brasileira através da análise do poema “Porquinho-da-índia”, de Manuel Bandeira, e do conto “Zoiuda”, de Luiz Vilela.

  O trabalho, publicado na revista Estação Literária, é de autoria de Eunice Prudenciano de Souza e Pauliane Amaral, integrantes de GPLV, e apresenta a proposição de que tanto o porquinho-da-índia do poema de Bandeira quanto a lagartixa do conto de Vilela apresentam qualidades que revelam a necessidade de afeto gerada pela incomunicabilidade e solidão; esses aspectos marcam tanto a enunciação do sujeito lírico do poema quanto a psicologia da personagem do conto. Antropomorfizados na figura de uma mulher, a quem imaginariamente substituem, esses animais desvelam o descompasso amoroso que marca a trajetória dos sujeitos do poema de Bandeira e do conto de Vilela.  

     Para conferir o artigo completo clique aqui.

sábado, 19 de novembro de 2016

Três Histórias Fantásticas - uma resenha

O FANTÁSTICO IRÔNICO EM LUIZ VILELA

Rodrigo Andrade Pereira (PG-UFMS)

O teórico da literatura Georg Lukács (1885-1971) afirma que o romance é o único gênero literário em que a ética do romancista converte-se em problema estético da obra. O romancista, novelista e contista Luiz Vilela nos parece estabelecer tal paradigma também no conto. Ele demonstra esse engenho e arte já em seu livro de estreia, Tremor de Terra, do qual saíram os três contos que compõem a coletânea Três Histórias Fantásticas, que acaba de ganhar uma segunda edição, pela Editora do SESI de São Paulo. A primeira edição saiu em 2009, pela Editora Scipione, com prefácio de Sérgio Rodrigues. Integram a antologia os contos “Imagem”, “O buraco” e “O fantasma”.
Vilela, nestas três histórias, todas elas com vasta fortuna crítica e muito elogiadas pela crítica especializada, faz o que há de melhor em sua contística, por meio de um problema estético expõe a sua ética, a sua reflexão filosófica, um olhar aguçado e atento para os problemas mais candentes da sociedade e, consequentemente, do ser humano. O escritor se vale, nesses contos, o que é uma constante que se apresenta em todos os seus livros, de uma verve altamente irônica, em gradações que vão do riso ao sarcasmo; também neles, como nas suas demais obras, verificamos uma profunda reflexão sobre a alma humana, por vezes até didática, acessível, mas sempre encantadora. Não é à toa que o livro, tanto a edição de 2009, quanto essa edição de 2016, foi escolhido pelo PNBE – Plano Nacional Biblioteca na Escola, como obra paradidática para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
Duas dessas histórias foram abordadas no trabalho de conclusão de curso de Fabiano Sorrequia Oliveira, intitulado O fantástico nos contos de Luiz Vilela. Yvonélio Nery Ferreira abordou o conto “O buraco”, no artigoAspectos relevantes sobre memória e identidade no conto "O buraco", de Luiz Vilela”, e o professor Rauer Ribeiro Rodrigues abordou o conto “Imagem” no artigo “O motivo do espelho em contos de Aluísio Azevedo, Machado de Assis , Guimarães Rosa e Luiz Vilela”. Outros estudos sobre os contos podem ser localizados no Blog sobre Luiz Vilela, em registro sobre o lançamento da segunda edição das Três Histórias Fantásticas, disponível na página < http://gpluizvilela.blogspot.com.br/2016/11/sesi-sp-lanca-2a-edicao-das-tres.html >.
A orelha do livro faz a seguinte apresentação dos contos: “Um jovem estranha sua imagem no espelho, sofre com isso, e sai então em busca de sua verdadeira identidade. Outro jovem, que vinha desde menino cavando um buraco no quintal de casa, vai perdendo a sua forma humana, tornando-se cada vez mais solitário. Um terceiro jovem, para fugir do Carnaval, viaja para um lugar deserto e lá, numa casa abandonada, encontra um fantasma. Três histórias surpreendentes, três histórias que, além de entreter, nos levam a pensar sobre os mistérios do ser humano, da vida e do mundo”.
O que nos chama a atenção nessas três histórias, primeiramente, é o narrador. Em todas as três narrativas temos um narrador autodiegético, o que, a nosso ver, contribui bastante com a identificação desses personagens narradores pelo público alvo dessa coletânea, o adolescente entre 13 e 16 anos. Todos os narradores são do sexo masculino, vivendo angústias e medos, a solidão e ─ paradoxalmente ─ o desejo da solidão, a falta de jeito e a ausência de vontade para se comunicar. Esse narrador, com tais características, é, ao nosso ver, um viés do arquinarrador de Luiz Vilela, e apresentam mecanismo narrativo que encontramos muitas vezes em suas outras obras, ao moldar o problema ético dos relacionamentos humanos no fundo estético dos caracteres comuns das personagens que coloca em cena.
São personagens comuns, vivendo dramas cotidianos, em narrativas coloquiais, de linguagem simples. O problema ético em pauta é o drama da vivência em sociedade enfrentado por seres arraigadamente insulares, em narrativas que se constroem na chave estética do fantástico, um subgênero literário de larga tradição, ainda que minoritário diante da avalanche neorrealista umbigocêntrica da maior parte da literatura brasileira, perfil, aliás, que jamais atraiu Luiz Vilela.
Nesses contos, o fantástico se dá pela relação que o narrador protagonista estabelece com algum tipo de “objeto”, algo em se agarra, para superar essa falta de comunicação. No primeiro conto, “Imagem”, um adolescente tem no espelho esse objeto, e é por meio dele que o protagonista irá refletir sobre a sua condição, a sua transição do mundo infantil para o mundo adulto. No segundo conto, “O buraco”, o protagonista “faz” o seu objeto, no caso um buraco no fundo de casa, onde passa a frequentar e por último morar nele, a ponto de se metamorfosear para se adequar àquele ambiente. No terceiro conto, “O fantasma”, o protagonista, o único que inicia a narrativa já na fase adulta, encontra em um fantasma, que, reza a lenda, andava assombrando a casa da fazenda do seu tio, alguém com quem possa conversar sobre as trivialidades da vida, em uma noite chuvosa.
Nas relações com os objetos, das quais nasce o fantástico, há uma forte ironia. Em “Imagem”, o espelho devolve ao protagonista não a sua imagem física, mas uma projeção do modo em que a personagem se vê no mundo que o rodeia ─ desse modo, o espelho se faz derrisão do social e dissolução do eu enunciador. Em “O buraco”, a toca do Zé que se transforma em tatu é abrigo que lhe retira da vida social e familiar, sendo representação do humano como inescapável misantropia. Em “O fantasma”, o fantasma é o homem frágil diante de um mundo perverso, pervertido, caótico, construído por homens sem alma, sem medo, sem inocência.
Em enredos de teor derrisório, irônicos e autoirônicos como esses, Luiz Vilela nunca se deixa levar pelo melodramático, pelo panfletário ou apela ao fantástico infantil-infantilizado dos contos de fada. Até no conto explicitamente marcado por uma retomada antropofágica de Franz Kafka ─ a óbvio no conto “A Metamorfose”, de modo subliminar com relação ao romance O Castelo, mas também e principalmente pela novela “O Covil” ─ , Vilela é dissonante, e entrega algo novo, com uma técnica unicamente sua.
Três histórias fantásticas já é um livro amplamente utilizado nas aulas de leitura com fins de análise textual e gramatical desde a sua primeira edição, em 2009. Registre-se, de passagem, que tal operacionalização da literatura, lida sem aparato literários e para outros fins da disciplina Língua Portuguesa, é um equívoco que afasta os estudantes do texto literário. Entretanto, como as narrativas de Luiz Vilela apresentam forte apelo diante do público infanto-juvenil, a leitura de obras como essa Três Histórias Fantásticas constituem excelente porta de entrada para outras obras literárias de qualidade.
O lançamento de 2009, esgotado, agora ganha, pela Editora do SESI de São Paulo, caprichada edição - e chega com inesgotável fôlego para uma nova geração. 

        Professores, vamos embora formar novos leitores? Luiz Vilela é sempre leitura obrigatória!

OBS.: Outras informações sobre os lançamentos de 2016 de Luiz 
Vilela, aqui e aqui.