sábado, 17 de novembro de 2012

Batepapo com Luiz Vilela no "Cândido"


CÂNDIDO - Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, nº 16, novembro 2012, p. 4-9.
http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=160 
Governo do Estado do Paraná - Secretaria da Cultura

Um Escritor na Biblioteca: Luiz Vilela


Luiz Vilela é um dos raros casos de escritor que já nasceu “pronto”. Desde sua estreia, aos 24 anos, com o livro de contos Tremor de terra, o escritor mineiro demonstrava um domínio literário pouco comum para estreantes. Desde então, o autor só fez apurar o domínio técnico demonstrado nos primeiros livros, tornando-se reconhecidamente um mestre do diálogo. Além da arrebatadora estreia com Tremor de terra, coletâneas de histórias curtas como No bar, O fim de tudo e A cabeça, fizeram de Vilela um dos maiores contistas da literatura contemporânea. Também romancista, o mineiro é autor do controverso O inferno é aqui mesmo, sobre sua experiência como repórter no Jornal da Tarde, em São Paulo. No batepapo, mediado pelo também escritor Miguel Sanches Neto, Vilela falou sobre suas primeiras tentativas de fazer ficção, sua estreia aos 14 anos como contista em um jornal de sua cidade natal, Ituiutaba (MG), e de suas principais influências — Dalton Trevisan e Ernest Hemingway.

Nascido em 1942, Vilela se formou em filosofia e integrou uma geração de escritores mineiros fantástica, que orbitava em torno da figura icônica de Murilo Rubião. Em Belo Horizonte, fundou a revista Estória. “Nessa época, foi criado o Suplemento Literário de Minas Gerais, que foi uma criação de Rubião. Frequentávamos sempre o Suplemento, convivíamos muito com escritores de gerações mais antigas”, disse o escritor, que também falou sobre o processo de escrita de seu mais recente romance, Perdição. “Comecei a escrever e fui me empolgando com o conto. E aí aquele conto foi crescendo. Então, comecei a estender, bem parecido com uma árvore: aquele galho virou aquela árvore frondosa de quase 400 páginas que é o livro.” Confira os melhores momentos do bate-papo.


Primeiras bibliotecas

Essa [primeira] biblioteca, para a minha felicidade, eu tive em casa, porque tanto meu pai como minha mãe gostavam muito de ler e, além disso, eu e meus irmãos, também gostávamos muito de ler. Todos tinham sua estante de livros. Minha vontade de ler era tanta, que aprendi a ler sozinho. Quando entrei na escola, já sabia ler. Então essa foi minha biblioteca. Bem variada, até mesmo porque cada uma dessas pessoas — mãe, pai, irmãos — tinha interesses particulares de leitura. Então, isso tudo para mim foi muito importante, porque desde de muito cedo tive contato com o mundo dos livros e com tudo que os livros significam, em tempo de formação, de prazer de ler. Mas, biblioteca no sentido de biblioteca fora de casa, só fui ter quando morei em Belo Horizonte. Lá, frequentava muito a Biblioteca Pública. Também havia uma biblioteca muito boa, da Universidade Federal de Minas Gerais [UFMG], que ficava fora da universidade. Mas, enfim, para resumir: onde houvesse livros, lá estava Luiz Vilela.


Escrita

Foi uma coisa espontânea. Essa pergunta sempre ocorre [como você começou a escrever]. Costumo dizer que, depois de ler tantas histórias, as mais variadas, já adolescente, um belo dia me deu vontade de escrever as minhas histórias. É aquela coisa que não tem uma explicação, muito lógica: se é tão gostoso ler, com será escrever? Claro que não me formulei essa pergunta, mas foi um pouco isso. Contaminado, digamos assim, por aquelas histórias, me deu vontade de escrever também. Isso aos 13 anos. Fiquei tão empolgado com aquilo, que continuei escrevendo, escrevendo e não parei nunca mais. Costumo dizer que não tirei férias da literatura dos 13 anos até agora, os 69 anos. Nunca parei de escrever.


Voz própria

E é claro que há todo um processo: você começa a escrever e comparar o que escreveu ao que leu. Se aquela história era tão boa, como será a minha? Dai você começa a perceber que não é tão boa, que falta isso, faltava aquilo, daí vem aquele aprendizado do escritor. É um processo que talvez ocorre com todo escritor, acho que talvez com todo artista. No começo, tenta-se imitar os autores preferidos, você começa a escrever mais como eles. Depois, com o tempo, vai-se descobrindo sua própria voz. Mas, claro, esse processo é demorado.


Primeiras histórias

Às vezes, penso comigo mesmo: por que comecei a escrever? Ligo isso também à questão da minha infância, porque eu brincava muito com uns bonequinhos. Acho que todo menino brincou com essas coisas. Mas, no meu caso, eu criava um mundo, fazia uma cidade, tentava reproduzir filmes que via no cinema da minha cidade. As histórias em quadrinho, lia pilhas de histórias em quadrinhos. Assim que a adolescência foi chegando, naturalmente fui deixando aqueles brinquedos, e a literatura foi, de certa forma, o substituto dessas brincadeiras. Costumo dizer ainda que a literatura é minha brincadeira de adulto.


Estreia

Comecei aos 14 anos, publicando contos nos jornais da minha cidade. Meus professores sempre elogiavam as minhas redações, que na verdade não eram redações, eram contos que eu escrevia na sala de aula. E com esse entusiasmo, fui percebendo que meus textos tinham uma resposta. Então, me aventurei a publicar no jornal da minha cidade. Curiosamente, levei um conto lá, com 14 anos. Na época, era o jornal melhor da cidade. O editor leu e publicou. Aí já me senti autor publicado. Então, como já disse, não parei mais de escrever.


Primeiras influências 

Quando publiquei meu primeiro livro, Tremor de terra, e ganhei, junto com o Dalton Trevisan, o Concurso Nacional de Contos, fizeram uma longa entrevista comigo em Belo Horizonte, e surgiu aquela clássica pergunta: quais foram suas influências? Aí, em respostas curtinhas, que eu costumo dar até hoje nas minhas entrevistas, eu disse: um autor brasileiro, Dalton Trevisan; um autor estrangeiro, Hemingway.


Belo Horizonte

Quando fui a BH, com 15 anos, passei a mandar semanalmente uma crônica para outro jornal da minha cidade. Depois, passei a publicar em jornal lá em BH. Daí comecei a conhecer os novos, outros jovens que também escreviam. Na falta de lugar para publicar, nos reunimos e criamos uma revista, tudo pago do nosso bolso, também uma coisa que ocorre muito na literatura. Daí fui nessa trajetória até nos meus 21, 22 anos. Quando veio a vontade de publicar meu livro, eu já tinha muitos contos escritos, alguns já publicados. Reuni-os em dois livros na época. Peguei o primeiro deles, que estava com mais vontade de publicar, e mandei para editora, que mandou uma carta de recusa. Tive várias recusas. Então resolvi que, enquanto meu livro corria entre as editoras, publicaria, por conta própria, o outro material que estava comigo. Na época, procurei a gráfica mais barata que havia em BH, porque trabalhava na época como secretário no departamento de filosofia, tinha recentemente me formado. Procurei uma gráfica que se chamava grafiquinha — com g minúsculo ainda. Publiquei e poucos dias antes do livro ficar pronto, fiquei sabendo de um concurso que ia ocorrer em Brasília. Fui lá e pedi para moça imprimir correndo cinco exemplares para enviar ao concurso. Ela imprimiu lá, mandei e ganhei o Prêmio Nacional de Ficção, que na época era o maior prêmio literário do Brasil.


Geração fantástica

Os anos 1960 e 1970 realmente foram uma época muito marcante. Agora, essas coisas têm certos fatores casuais, mas o fato é que, na época, pelo próprio tamanho da cidade, BH era ainda uma cidade menor, havia muito encontro entre escritores, nos botecos. Nessa época, foi criado o Suplemento Literário de Minas Gerais, que foi uma criação do Murilo Rubião. Frequentávamos sempre o Suplemento, convivíamos muito com escritores de gerações mais antigas. Diferente do que costuma acontecer, em que os mais jovens sempre tentam escorraçar a geração mais velha, com nós foi diferente. Tínhamos uma convivência muito boa com os mais velhos. Claro que tínhamos nossas briguinhas. Mas havia uma efervescência, várias revistas, além da nossa, que se chamava Estória. Para se ter uma ideia, essa revista que nós fizemos, chegou a ser considerada, por uma publicação americana, como a melhor revista do continente sul-americano. Então, isso pra nós foi sensacional.


Jornalismo

Como tantas coisas que nos acontecem na vida, o jornalismo não foi uma escolha. Na época, eu tinha acabado de me formar e, apesar de ter me formado no curso de filosofia, não tinha vontade de dar aula. Aí fui convidado para ser secretário do departamento de filosofia da antiga UMG, que agora é UFMG. Achei uma maravilha, não queria dar aula. Lembro que na época saiu a edição brasileira de Ulysses. Então, na minha mesa, de um lado estava Ulysses e do outro o "Estatuto do Magistério", que era um texto chatíssimo. Mas, quando não tinha ninguém, abria Ulysses e, quando chegava algum professor, eu fechava e abria o "Estatuto", que era discutido em várias reuniões. Fiquei três anos como secretário e acabei sendo demitido, por conta de contenção de despesas.


Jornal da Tarde

Na ocasião, surgiu o convite para eu ir para o Jornal da Tarde, em São Paulo — e, só para informar vocês, lá já estava assim de mineiros. Eles falavam que tinha o mineiro da semana. E eu fui por causa de alguns colegas que já estavam lá na redação. A justificativa para eu ser convidado — na época eu já tinha meu primeiro livro publicado —, é que meu texto era muito jornalistico. Fui, me dei bem, gostei muito.


Estados Unidos

Quando eu já era contratado do jornal, surgiu, então, um convite para eu ir aos Estados Unidos, em um programa que levava escritores do mundo inteiro e chamava International Writing Program. Claro, recebi o convite e não pensei duas vezes. Fui. Lá fiquei nove meses. Era um programa maravilhoso, aquela vida em que o escritor não tinha obrigação nenhuma, se quisesse escrever, podia escrever, mas também se não quisesse, não precisava escrever, nem bilhete. Poderia ficar dormindo o dia inteiro, enchendo a cara, se drogando. Muitos fizeram isso. Ou jogando sinuca, como eu. Foi uma experiência muito importante pra mim, foi a primeira vez que saí do país, estava com 25 anos. Como escritor, aproveitei muito, porque tinha tempo e retomei um romance que eu tinha começado em BH.


O inferno é aqui mesmo

Tempos depois, escrevi O Inferno é aqui mesmo, que é baseado na minha experiência no Jornal da Tarde e em São Paulo. Esse livro me deu muita dor de cabeça, repercussão. Teve gente que quis mover processo contra mim. Um crítico literário publicou um artigo de quase uma página, no Jornal da Tarde, cujo título era “Este não é um romance, é uma vingança pessoal cheia de chavões”. Na página inteira, para meter o pau no meu livro, ele falava em Marlon Brando, em Mozart, falava em Truman Capote, Henry James e por aí vai. Poxa, nunca vi um cara malhar tanto um livro meu com tantas boas figuras. Foi sensacional. Quase gostei do artigo dele. Mas o mais interessante de tudo era a ilustração que acompanhava o artigo. Era uma pessoa passando pelo rolo da máquina de escrever, como em desenho animado quando o pessoal passa em baixo da porta, achatado. Então, tinha o rolo da máquina achatando o cara, como se eu tivesse achatado todo mundo do jornal. E não foi assim. Eu explicava que não tinha sido isso, muito pelo contrário: tinha e tenho ótimas lembranças do jornal, convivia muito bem com todo mundo. Mas eu mostrei a realidade. Sabe-se que onde há um grupo de pessoas, há competição, não fica todo mundo fazendo gracinha e rezando, não, o negócio é bravo. E eu retratei isso.


Incompreensão

As pessoas achavam que o título se referia ao Jornal da Tarde. Não. O inferno é a cidade de São Paulo. Se a pessoa ler com atenção o livro, vai ver que o inferno a que me refiro, em quase termos simbólicos, é o inferno da condição humana, do relacionamento das pessoas, da solidão, da falta de amor, é tudo isso que está lá no livro. Mas a pessoa, com aquela leitura rápida, ou mesmo antes de ler, já tem uma opinião a respeito do livro. Isso aconteceu também com meu primeiro romance, Os novos, porque também retratei, como o Miguel Sanches Neto contou aí pra vocês, a minha geração, mas em termos ficcionais. Os novos também me deu muita dor de cabeça, porque essa geração não gostou de se ver como modelo do que estava no livro, dos personagens que estavam ali.


Críticas negativas

Desde o início, recebi poucas críticas negativas, mas recebi algumas pesadas, como essa que acabei de contar pra vocês. Mas quando recebi as primeiras críticas, alguém lá em BH me disse, fato que nunca pude comprovar, que o Guimarães Rosa tinha uma caderneta em que anotava as críticas. As negativas, ele colava de cabeça para baixo. Se é verdade, não sei. Mas fiquei tão entusiasmado com isso, que fiquei pensando em fazer algo semelhante, mas fui mais radical: pensei em comprar um rolo de papel higiênico, mas achei que não valia a pena e acabei usando o papel para outras coisas mesmo.


Voz própria

Isso, de voz própria, talvez seja uma coisa que os outros percebam, até porque eu, digamos, nunca parei para pensar sobre isso. Fui escrevendo, escrevendo, escrevendo e é isso. Acho que isso foi surgindo naturalmente, progressivamente. É claro que, no começo, tinha consciência de que ali estava a influência de tal autor e isso me incomodava. Hoje noto que os meus primeiros contos, realmente tinham influência mais forte, digamos assim, de determinados autores, porque influência nós temos, todos temos e não há mal nenhum que haja influência. Até porque, não existe nenhum escritor que seja totalmente original. Porque nós, quando nascemos, temos toda a literatura que existe à disposição e fatalmente somos influenciados. E não há mal nenhum que sejamos influenciados.


Linguagem realista

A minha resposta, talvez um pouco atrevida, é que eu realmente não fico pensando sobre meu trabalho como escritor. Não sei responder sua pergunta, porque eu trabalho de uma maneira quase intuitiva, quer dizer, não fico voltado para minha obra, pensando no que já fiz. As coisas que me despertam vontade de escrever, escrevo. Se vocês pegarem meus primeiros contos e comparar com um conto de hoje, ou um romance, vão ver que há uma mesma linha de narração, de palavras, de textos, de construção. Não quer dizer que eu não trabalhe o meu texto, que eu não leia, que não tenho consciência das coisas que estão acontecendo ou aconteceram na literatura, mas não fico refletindo sobre meu próprio trabalho. Há autores que às vezes escrevem livros inteiros sobre o seu trabalho. Tem um caso clássico do autor mineiro Autran Dourado [morto em 30 de setembro de 2012], que escreveu Gaiola 
aberta. Jamais escreveria um livro desse tipo. Não quero ficar pensando no meu trabalho, quero escrever aquilo que desejar, seja o que for.


Perdição

Escrevi este livro ao longo de dez anos. Quando digo isso, não quero dizer que fiquei dez anos seguidos escrevendo o livro, até porque nesse período eu publiquei um outro livro e alguns contos esparsos e tal. Mas o romance deu muito trabalho e, mais uma vez, não tive um propósito declarado: vou escrever um livro sobre tal coisa. Isso foi surgindo naturalmente. Por volta do ano 2000 recebi um convite, como às vezes acontece, de uma editora que queria fazer uma antologia de contos baseados nos 12 apóstolos. O editor me disse que eu era o primeiro convidado e que, por conta disso, poderia escolher o apóstolo que quisesse. Então, escolhi São Pedro. Combinei com ele um prazo e, realmente, me pus ao trabalho. Comecei a escrever e fui me empolgando com o conto. Depois que terminei, fui reescrever. Processo bastante demorado. E aí aquele conto foi crescendo, crescendo e de vez em quando o editor me ligava: “E aí, Vilela, o conto tá pronto? O prazo já passou”. E eu: “Não, tá quase, tá ficando bacana, você vai ver”. E aí pensei: “É, isso aqui vai dar uma novela, porque não é conto mais, não”. Parti e disse: é, vai ser uma novela mesmo, mas fiquei quietinho. Daí o editor ligou, bronquiando: “Pô, o conto não ficou pronto, como é que é?” Eu falei: “Olha, infelizmente eu acho que não vai dar, não, viu? Até hoje eu não acabei esse conto”. Bem, aí no dia de terminar o livro, escrevi debaixo Novela, como às vezes a gente faz. Mas fui reler, fazer novas correções, todo aquele trabalho infinito, como costumo dizer. A novela foi crescendo, aparecendo novos personagens que eu não tinha pensado antes, outras histórias surgindo, uma puxando a outra. Dai falei: “Poxa, isso vai ser um romance”. Então comecei a estender, bem parecido com uma árvore: aquela árvore magrinha, que foi crescendo, de repente um galho para cá, um galho para lá e virou aquela árvore frondosa de quase 400 páginas que é o livro. Esse foi o processo.


Leituras de formação

A partir dos 14 anos, li tudo que poderia ler. Shakespeare, Tolstói, Balzac. Queria ler tudo, queria conhecer tudo. Sem falar nos autores próprios da minha época, Julio Verne, Conan Doyle, Karl Meier. Lia o que eu encontrava. Além disso, lia livros sobre história geral, lia filosofia, lia religião, uma coisa assim, onde eu visse uma coisa para ler, pegava e lia. Uma época, li no jornal que meu pai assinava, na época de Semana Santa, um sermão do Padre Vieira. Nunca tinha lido Padre Antônio Vieira. Fiquei tão entusiasmado, fui até meu pai e disse que tinha vontade de ler os outros sermões. Papai então comprou. Comecei a ler, mas, confesso, não terminei todos os sermões até hoje. Mas já foi muitas vezes meu propósito: ler de ponta a ponta os sermões de Vieira. Até hoje concordo plenamente com o Fernando Pessoa, que chamou o Vieira de um imperador da língua portuguesa. Mas, enfim, eu lia tudo, por gosto mesmo de ler.


Dalton Trevisan

Quando comecei a escrever, já tentava fazer uma leitura dos autores com olhos críticos. Nessa época tive, já em BH, uma grande descoberta, um autor chamado Dalton Trevisan. Lembro que quando li o Trevisan nos suplementos do Rio que eu comprava, no Diário de Notícias, e no “Suplemento Literário”, do jornal O Estado de S.Paulo, lia e pensava: poxa, esse cara escreve diferente de todo mundo que eu li até agora. E me pegou assim pra valer; então, alguns contos meus, do começo, tem muita influência do Dalton.


Método de escrita

Sou anárquico, escrevo qualquer hora. Gosto do silêncio, não gosto de escrever com barulho, não. Então, por esse motivo, prefiro escrever à noite. À noite que eu digo é depois da meia-noite, porque até a meia-noite, na minha cidade, é um barulho infernal. Porque hoje, lá em Ituiutaba, como tantas outras cidades do Brasil, tem muitos carros, motos, etc. Fora os carros de propaganda. Então, é barulheira o dia inteiro — e eu moro num lugar bem central.


Leitura dos contemporâneos

A essa altura do campeonato, cheguei à conclusão que, ou eu leio os livros dos outros, ou escrevo os meus próprios livros. Porque não há tempo mais. Recebo muita coisa em casa. Publicação hoje no Brasil é uma coisa impressionante. Todo dia aparece um contista, aparece um poeta, aparece um romancista. Então, não há como acompanhar mais isso. É difícil passar uma semana sem que eu receba um livro. Mas dou uma olhada. Curiosidade natural, saber o que o cara tá fazendo, mas dificilmente leio o livro inteiro. Já não tenho tempo para escrever os meus próprios livros.


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Cândido Lopes, 133 - Curitiba - PR

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

LUIZ VILELA NA BALADA LITERÁRIA

Dia 30 de novembro, Luiz Vilela estará em São Paulo,
participando da Balada Literária.
O encontro, com entrada franca, será na Livraria da Vila,
às 16 horas, e Vilela falará de sua vida e obra.
(A programação completa da Balada Literária pode
ser vista no site http://baladaliteraria.zip.net/).

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vilela está na Balada

Luiz Vilela participa, no dia 30 de novembro, a partir das 16h, na Livraria da Vila, em São Paulo, da Balada Literária 2012, organizada pelo escritor Marcelino Freire. Eis a chamada:

  • 16h00 – Livraria da Vila:
Tempo, Tempo, Tempo:
Encontro de gerações -
novos escritores encontram
um dos grandes autores brasileiros


NIVALDO TENÓRIO,
WELLINGTON DE MELO 
ROD BRITTO
conversam com LUIZ VILELA





Veja a programação completa em:

http://baladaliteraria.zip.net/

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Estudos sobre Luiz Vilela serão apresentados no I Seminário “Minas Gerais – Diálogos”, em Três Corações

Integrantes do GPLV - Grupo de Pesquisa Luiz Vilela - apresentam, nos dias 22 e 23 de novembro, em evento promovido pela UNINCOR - Universidade do Vale do Rio Verde de Três Corações, estudos sobre a obra de Luiz Vilela.

O evento é o I Seminário “Minas Gerais – Diálogos”, que integra o II Encontro Tricordiano de Linguística e Literatura, que também abriga o I Seminário “Práticas Discursivas da Contemporaneidade” (UNINCOR/CNPq). O site do evento pode ser acessado clicando aqui.

Jorge Augusto Balestero, mestrando do Mestrado em Letras da UFMS, apresenta a comunicação "Sobre vida e literatura no conto 'Zoiúda', de Luiz Vilela".

Pauliane Amaral, mestranda do Mestrado em Estudos de Linguagens da UFMS, apresenta a comunicação "A personagem jornalista em Luiz Vilela: esmagado entre a classe média e o proletariado".

Rauer Ribeiro Rodrigues, professor de Literatura Brasileira na UFMS e coordenador do GPLV, integra, ao lado dos professores Claudia Campos Soares (UFMG) e Luciano Marcos Dias Cavalcanti (UNINCOR) a Mesa-redonda “Minas em prosa e verso”, do grupo Minas Gerais: diálogos, com a palestra "Perdição, de Luiz Vilela".

Já Luciene Lemos de Campos, embora integre o GPLV, apresentará a comunicação "Poesia e identidade em 'O espelho', de Joaquim Cardozo".


Eis os resumos dos trabalhos:

Sobre vida e literatura no conto “Zoiúda”, de Luiz Vilela
Jorge Augusto Balestero (PG-UFMS)
O presente estudo propõe a leitura de  "Zoiúda", do escritor Luiz Vilela, levando em conta as propriedades  literárias e filosóficas do conto, para fim de análise e reflexão crítica acerca da relação vida e literatura, que se impõe, em subjetividade, por meio dos personagens do conto. 
PALAVRAS-CHAVE: Literatura; Vida; Cosmovisão contemporânea.

A personagem jornalista em Luiz Vilela: esmagado entre a classe média e o proletariado
Pauliane Amaral (PG-UFMS) 
A partir do levantamento qualitativo das personagens do romance O inferno é aqui mesmo, de Luiz Vilela, desenvolvemos uma análise sobre a personagem Edgar, narrador e protagonista do romance, à luz de outras personagens jornalistas que aparecem na obra do autor, a exemplo do romance Entre amigos (1983) e Perdição (2011). A recorrência da personagem jornalista, construído como um ser socialmente híbrido, que mantém diálogo com a classe proletária, assim como com a classe média, ou, como afirma Cristiane Costa em Pena de Aluguel: escritores jornalistas no Brasil 1904-2004 (2005), “[...] uma classe intermediária, espremida entre a elite e o proletariado”, e que dialoga com uma figura de jornalista presente na literatura brasileira desde os anos 60. Podemos avaliar que essa configuração possibilita ao autor explorar temas da precária realidade socioeconômica nacional, compartilhada por grande parte dos brasileiros, sem abrir mão da complexidade reflexiva proporcionada por personagem intelectualizada, com conhecimentos pontuais de música erudita, literatura e, é claro, política.  
PALAVRAS-CHAVE: Personagem; Jornalista; Literatura Brasileira Contemporânea. 

Perdição, de Luiz Vilela
Rauer Ribeiro Rodrigues (UFMS) 
O escritor mineiro Luiz Vilela, natural de Ituiutaba, onde nasceu em 1942, lançou, em 2011, seu quinto romance, Perdição. Em quase quatrocentas páginas, Ramon, o narrador, relata a vida de Leonardo, um pescador conhecido como Leo, seu amigo de infância. Leo aceita um convite para ingressar em uma nova religião, muda-se para o Rio de Janeiro e se torna o Pastor Pedro. Tendo sucesso na atividade, ganha dinheiro e impressiona a todos quando retorna à pequena Flor do Campo, dirigindo seu carro e trajando terno e gravata. Após muitas informações não comprovadas e versões as mais desencontradas sobre as atividades do Pastor Pedro no Rio, inclusive algumas que garantem que ele foi para o exterior, Leo, em estado de penúria,retorna para sua cidade natal. Nomeado por Luiz Vilela como “épico de inspiração bíblica”, Perdição tem por cenário a pequena Flor do Campo, que pode ser tomada como metonímia do Brasil. Romance polifônico, em que as personagens são evisceradas pelo narrador iluminista e cético, as páginas de Perdição destilam desencanto no laivo amargo de um tempo em que nem a esperança faz mais sentido.  
PALAVRAS-CHAVE: Ficção e História; Literatura Brasileira; Polifonia.

Poesia e identidade em “O espelho”, de Joaquim Cardozo
Luciene Lemos de Campos (SEED-MS)
O poema “O espelho”, de Joaquim Cardozo, oferece-nos a possibilidade de gerar múltiplas leituras, propiciando discussões que abrangem vários campos do conhecimento no âmbito da filosofia, da literatura e da psicologia. Neste trabalho, utilizando-nos do método de pesquisa bibliográfica, intentamos iniciar discussão acerca do conceito de poesia que emerge do poema cardoziano. Como apoio a estas reflexões, serão consideradas a correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond e parte da fortuna crítica de Joaquim Cardozo. 
PALAVRAS-CHAVE: Modernidade; Identidade; Poesia Brasileira; Joaquim Cardozo

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nova página: Sala de Aula


O Blog do GPLV conta agora com uma nova Página, intitulada "Sala de Aula". 

Nesta página vamos recolher Projetos de Ensino, Relatos de Experiências Pedagógicas e Planos de Aula, que tenham se valido da leitura de obras de Luiz Vilela. 

O primeiro trabalho que publicamos é um relato. Trata-se do Relato da experiência didática realizada pela professora Rosa Maria da Silva Medeiros, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, ao estudar o conto "Piabinha", do livro O fim de tudo (1973).

A professora apresentou sua atividade no Seminário da Abralic que aconteceu em julho deste ano em Campina Grande (PB). Em "Sala de Aula" há um link para acessar os slides da apresentação da professora. 

Em breve, esperamos ter outros relatos, planos, projetos e experiências pedagógicas nesta nova Página.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vilela e as dificuldades para publicar o primeiro livro

Em entrevista concedida em 2003, Luiz Vilela falou da publicação de Tremor de terra, que marcou sua estreia, e de como, devido a isso, as portas das editoras, que até então recusavam os originais de No bar, que seria o seu primeiro livro, se abriram. Abaixo, a íntegra da reportagem - que foi publicada originalmente na Folha de S.Paulo.


30/08/2003 - 06h17 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u36299.shtml

Estréia resgata produção de Luiz Vilela


MARCELO PEN 

crítico da Folha

O livro de contos "Tremor de Terra" pode servir de inspiração aos novos talentos. Em 1967, a obra ganhou, em Brasília, o Prêmio Nacional de Ficção. Tratava-se de uma edição modesta, custeada pelo autor, o mineiro Luiz Vilela, então com 24 anos. Bateu outros 250 escritores, inclusive medalhões como Mário Palmério, Osman Lins e José Geraldo Vieira. Dizem que este último estava tão certo da vitória que adentrou a capital federal com o discurso de agradecimento pronto.

Vilela, 61, conta que o livro nem era para ser seu primeiro. "Escrevia contos desde os 13 anos; só com os que rasguei poderia ter composto outros três livros", avalia. O autor reuniu os que julgou serem os melhores numa obra chamada "No Bar", mas não encontrou nenhuma editora. "Em desespero de causa", decidiu costurar um segundo volume com os contos restantes e publicá-lo por conta própria. Era "Tremor de Terra". Depois da premiação, "as portas das editoras abriram-se".

Passados mais de 20 anos desde a última edição, em 1980, Vilela aproveitou para fazer o texto passar por um escrutínio completo. Garante não ter feito alterações substanciais. "Depois de ter o livro publicado, não mexo mais em elementos fundamentais como história e personagem; nesse aspecto, está pronto." Confessa ter efetuado pequenas operações de linguagem, como "a troca por uma palavra melhor, a busca da eufonia, a correção de erros".

O livro foi indicado para o vestibular 2004 da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o que talvez responda em parte pelo sucesso da presente edição.

Segundo Vilela, a comissão da universidade decidiu pela inclusão da obra por considerá-la "um clássico". Mas será que a consagração não pode ser temerária também, no que ela insinua de caráter modelar, de encerramento de uma trajetória? Embora revele ser "o único autor vivo dentre os escolhidos pela UFMG", Vilela garante que não pretende "ficar curtindo os louros da vitória".

Para ele, a literatura brasileira vive um "bom momento, de plena efervescência". Implicitamente, sugere que nem tudo que está na praça é bom, quando afirma que é dessa grande quantidade que "nasce a qualidade". Instado a apontar alguns exemplos atuais de qualidade, menciona "contistas representativos" como o paulista Marçal Aquino e o paranaense Miguel Sanches Neto.

O próprio autor já prepara novo romance, que se chama "Perdição". A história --"que começou como conto, virou novela e agora é um romance"--fala de um pescador que recebe o convite de "uma dessas novas igrejas" para ir ao Rio de Janeiro, onde enfrenta uma crise existencial. Tendo como pano de fundo "a religião, o sexo e as drogas", o livro combate a comercialização da crença citando a segunda epístola de são Pedro: "E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas".

O ficcionista pretende concluir o livro em breve, para lançá-lo em 2004. Ainda não tem editora, pois está "em fase de negociação". Por seus cálculos, tem 23 obras publicadas, contando as antologias.

Seus textos foram traduzidos para várias línguas, como o inglês, o italiano e o alemão. Do talentoso aspirante às letras de 1967 ao escritor consagrado que hoje vive da pena em sua cidade natal de Ituiutaba (MG), realmente muita coisa mudou.

sábado, 27 de outubro de 2012

LUIZ VILELA: 55 ANOS DE FICÇÃO


LUIZ VILELA E AFFONSO ÁVILA

         Há um mês, no dia 26 de setembro, morria em Belo Horizonte, aos 84 anos, o poeta e ensaísta Affonso Ávila, autor de Código de Minas e Resíduos Seiscentistas. Nos inícios dos anos 60, responsável pela “página dos novos” no Suplemento Dominical do Estado de Minas, Affonso nela publicou alguns contos de Luiz Vilela, contos que viriam a fazer parte dos primeiros livros de Vilela. Os dois tornaram-se amigos e Vilela acabou ficando amigo também da esposa de Affonso, a poeta e crítica literária Laís Corrêa de Araújo, que algum tempo depois fez a apresentação do Tremor de Terra, o livro de estreia de Vilela, publicado em 1967.
         Em homenagem ao escritor desaparecido, este blog dá abaixo uma foto, datada de 16 de setembro de 1966, tirada na casa de Affonso, por ocasião de um encontro informal de escritores. Affonso e Laís estão no canto direito da foto e Vilela próximo a eles, com um cigarro na mão. Damos também uma carta (escrita num cartão) que Affonso enviou a Vilela em 1968, quando este se achava nos Estados Unidos, participando do International Writing Program.






terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estudos sobre Vilela são apresentados no SEL

Diversos estudos sobre a obra de Luiz Vilela serão apresentados, nesta semana, no XI Seminário de Estudos Literários - SEL, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UNESP de Assis. Eis os resumos desses trabalhos:

METÁFORA E INTERTEXTUALIDADE EM PERDIÇÃO, DE LUIZ VILELA 

Anna Caroline Assis Fioravante - PG-CPTL/UFMS 
O presente artigo pretende analisar a figura do lago e da canoa presentes no romance Perdição. Nosso objetivo central é realizar o exercício exploratório das possibilidades proporcionadas pela metáfora e pela intertextualidade. Para isso, nos valemos em especial da primeira parte do livro, intitulada “O rapaz dos peixes”. Desse modo, discorremos sobre os significados latentes da presença do lago no centro do cenário do romance e seus significados romanescos. O lago parece catalizar imagem da liberdade de escolha dos indivíduos quanto aos rumos das próprias vidas. Percebemos, desse modo, possíveis significados velados na obra de Luiz Vilela, como se a obra se constituísse além da segunda margem de um rio. Como referencial teórico, nos valemos de obras de Luiz Costa Lima (Metáfora: do Ornato ao Transtorno), de José Paulo Paes (Para uma pedagogia da metáfora) e de Jean Paul Sartre (O existencialismo é um Humanismo).

O OLHAR EM “COM OS SEUS PRÓPRIOS OLHOS”, DE LUIZ VILELA 
Janaína Paula Malvezzi Torraca da Silva - PG-CPTL/UFMS
Rauer Ribeiro Rodrigues - UFMS 
O  artigo tem por objetivo analisar um conto do escritor Luiz Vilela, mineiro de Ituiutaba, onde nasceu em 1942. O tema sob nosso enfoque é o do erotismo, temática constante na ficção de Vilela, tendo por recorte a repressão sexual. O conto escolhido por corpus é “Com seus próprios olhos”, presente na coletânea Tarde da noite, publicada em 1970. Será usada a obra Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida, de Marilena Chauí, para o enquadramento descritivo da repressão sexual, bem como a obra  Microfísica do  Poder, de Michel Foucault. Nosso referencial de análise também se vale de proposições teóricas compiladas por Adauto Novaes, em O olhar. No conto escolhido, um diretor de escola chama um aluno até seu gabinete para uma conversa. Esse aluno vislumbrara o diretor da escola em uma praça, numa noite, trocando carícias com outro menino. Os olhares que acontecem na sala do diretor são decisivos na conversa entre eles; esses olhares dizem mais que as palavras trocadas. De Foucault, nos valemos especificamente do texto intitulado “O olho do poder”, para um enquadramento do olhar sob o perfil de quem detém o poder. Dos ensaios publicados em O olhar, serão utilizados “O olhar iluminista”, de Sérgio Paulo Rouanet, “Masculino/feminino: o olhar da sedução”, de Maria Rita Kehl, e “Os olhos do poder”, de Katia Muricy. Da obra de Chauí nos é útil a interligação entre economia, religião e poder. O problema sobre o qual nos detemos pode assim ser expresso: qual o efeito de sentido que o escritor constrói a partir dos olhares de ambas as personagens? Nossa proposição é de que Vilela, no conto em questão, faz denúncia do uso do poder institucional para fins pessoais e sexuais. 

SOBRE SOLIDÃO, AUTOGNOSE E O PAPEL DA 
LITERATURA NA VIDA CONTEMPORÂNEA 
Jorge Augusto Balestero - PG-CPTL/UFMS 
O presente artigo tem por escopo uma reflexão crítica sobre o pensamento do homem comum na contemporaneidade, partindo, para tal, da leitura do conto "Zoiúda", do escritor Luiz Vilela. Intenta-se estabelecer, por meio desta leitura, uma discussão acerca da Cosmovisão do homem comum, e realizar uma prática de leitura do papel da literatura em comum com essa condição contemporânea do sujeito.

LUIZ VILELA E A RETOMADA INTERTEXTUAL DA FICÇÃO NORTE-AMERICANA
Raquel Celita Penhalves dos Reis - PG-CPTL/UFMS 
                                                                Rauer Ribeiro Rodrigues - UFMS 
 Este artigo se volta para a afirmação de que a obra do  autor mineiro Luiz Vilela contém apropriações de narrativas de Mark Twain e de Ernest Hemingway, conforme consta na dissertação de Mestrado de Celia Mitie Tamura, defendida na UNICAMP em 2006. Tamura diz: “Torna-se aparente a influência, a partir da leitura de textos de Twain, tais como  The adventures of Huckeberry Finn e  Tom Sawyer” (TAMURA, 2006, p. 92), a partir da seguinte consideração: “Faz-se visível na literatura de Vilela as apropriações especialmente em relação a Ernest Hemingway e Mark Twain” (TAMURA, 2006, p. 91). Para analisar essas afirmações, estudamos o conto “Meus oito anos” (VILELA, No Bar, 1968) a partir do conceito de intertextualidade, formalizado por Julia Kristeva, e da proposição de antropofagia, feita por Oswald de Andrade. Perguntamo-nos se Luiz Vilela empreende apropriação no sentido de plágio ou se as retomadas de autores de língua inglesa, em específico as dos autores norte-americanos mencionados por Tamura, se dão no âmbito da intertextualidade e da antropofagia. Nossa proposição central é de que, em sua obra, Luiz Vilela realiza antropofagia intertextual. 



A ARQUITETURA ROMANESCA DE OS NOVOS, DE LUIZ VILELA 
Rosana da Silva Araujo - PG-CPTL/UFMS
Rauer Ribeiro Rodrigues - UFMS
Este artigo estuda o primeiro romance do escritor mineiro Luiz Vilela, Os novos, de 1971. Trata-se de romance de recepção controversa, que recebeu elogios entusiasmados e críticas ferozes. Nosso objetivo central é analisar a relação entre ficção e história, evidente em Os novos, pois seu enredo encena a vida de jovens à procura de seu destino no início dos anos de chumbo do regime militar de 1964. Observa Candido, em  Literatura e sociedade, que a arquitetura estrutural do romance, como gênero, dialoga com as estruturas da sociedade a que mimetiza. Goldmann, neste mesmo contexto, assevera que “a forma romanesca é, entre todas as formas literárias, a mais imediata e diretamente vinculada às estruturas econômicas, na acepção estrita do termo, às estruturas da troca e da produção para o mercado”. Dessa maneira, pressupomos que a construção ficcional dialógica de  Os novos representa, por antítese, a superestrutura autoritária e excludente do Brasil dos anos 60 do século XX. Sendo assim, este artigo procura trilhar o caminho da intensa tensão política e social do pós 64 para relacioná-la à ficção de Vilela. Para comprovar nossa hipótese, voltamo-nos para o estudo da construção das personagens, para os estudos das relações teóricas entre ficção e história, e para pesquisa que relacione o enredo de Os novos ao momento político, social e econômico do Brasil da segunda metade dos anos 60 do século XX. 

LEITURA SEMIÓTICA DA MORTE EM UM CONTO DE LUIZ VILELA 
Waleska Rodrigues Martins - PG-UNESP/Araraquara
Rauer Ribeiro Rodrigues - UFMS 
A ficção de Luiz Vilela, centrada no cotidiano do homem comum, construída com linguagem coloquial, sintaxe simples e enredos de aparência trivial, tem, sob águas que parecem plácidas, subtextos que elaboram significados, aprofundam sentidos, questionam verdades, satirizam o senso comum e discutem  — abordando, entre outros temas, questões filosóficas e do âmbito religioso — o homem, ser ontológico e ser histórico. Este trabalho mostra esses aspectos na obra do ficcionista mineiro tendo por corpus o conto “Um peixe”, da coletânea Tarde da noite (1970). A partir de enredo que narra, na noite de um domingo qualquer, os desdobramentos de uma pescaria, estudamos a relação entre Eros e Tânatos, entre Princípio de Prazer e Princípio de Realidade. Nosso referencial é composto por estudos sobre o tema da morte, como História da morte no Ocidente e O homem diante da morte, ambos de Philippe Ariès, e de estudos que abordam os símbolos e os arquétipos inconscientes, tais como, por exemplo, o Bachelard, de  A água e os sonhos. Valemo-nos também de estudos sobre a ficção de Luiz Vilela, para descrever a obra do escritor em suas linhas gerais e para homologar nossas conclusões. Desvelamos o homem como um ser conflitivo, em que grandes temas universais permeiam cotidiano mesquinho, impedindo-o de realizar seus desejos, arrojando-o, fraturado e sem forças, em existência banal.

O CÔMICO E O IRÔNICO NOS CONTOS DE LUIZ VILELA
Weder N. Ferreira-Jr  - IFTM
Luciana, C. Gomes – IFTM 
Desde tempos antigos, a arte de narrar tem sido uma necessidade humana. Essa necessidade persiste, o que possibilitou que o conto, enquanto gênero literário conquistasse lugar de prestígio entre outros consagrados gêneros narrativos. O conto, quando bem formulado, consegue entrelaçar toda a história em uma narrativa curta e envolvente, possibilitando uma leitura ágil.  As formas narrativas mudaram ao longo dos anos e se adaptaram ao modo peculiar de cada época. Isso também aconteceu com o conto o qual, hoje, apresenta características mais contemporâneas que tiveram suas origens na prática regional como espelho do universal. Enquanto manifestação dos conflitos contemporâneos, o conto ganha mais espaço na literatura brasileira com o início do modernismo, que revisita o regionalismo e o expande para além da visão localista, tendendo a uma linhagem mais humanista. Entre os que se destacam nessa linha podemos citar Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Clarisse Lispector, Lygia Fagundes Telles entre outros, e, dos mais recentes, Luiz Vilela. Esse autor, escritor tijucano de contos, romances e novelas possui esse estilo contemporâneo e humanista de narrar suas histórias. O projeto de pesquisa tem como objetivo analisar as obras de Luiz Vilela nos aspectos cômico e irônico de suas narrativas. A ironia na literatura é como uma “pitada de sal” que incrementa e deixa a história fascinante. Já o cômico pode fazer uma parceria com a ironia na literatura, porém pode se concentrar sozinho em uma narrativa. Pretendemos ver como Luiz Vilela trabalha esses aspectos em seus contos.

Para ver a programação completa, clique na imagem abaixo:





sexta-feira, 19 de outubro de 2012

GPLV vai a evento científico




"50 anos do 2º Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária"
24 a 26 de outubro de 2012
UNESP/ASSIS


Os integrantes do GPLV Anna Caroline  Assis Fioravante, Janaína P. M. Torraca da Silva, Raquel Celita P. dos Reis, Rosana da Silva Araujo e o Prof. Rauer Ribeiro Rodrigues, participarão, de 24 a 26 de outubro, do XI SEL: Seminário de Estudos Literários, realizado na Unesp de Assis/SP.

O grupo apresentará trabalhos no simpósio  Minas Gerais: diálogos, coordenado pelas professoras Ana Cláudia da Silva e Cilene Margarete Pereira, da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR.

Abaixo, a relação dos trabalhos que serão apresentados:

Anna Caroline: Metáfora e Intertextualidade em Perdição, de Luiz Vilela.

Janaína Torraca, em coautoria com o prof. Rauer: O olhar em “Com os seus próprios olhos”, de Luiz Vilela.  

Raquel Celita Penhalves dos Reis, em coautoria com o prof. Rauer: Luiz Vilela e a retomada intertextual da ficção norte-americana.

Rosana da Silva Araujo, em coautoria com o prof. Rauer: A arquitetura romanesca de Os novos, de Luiz Vilela.

A programação completa do evento em Assis está em:


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

GPLV terá avaliação externa

Conforme previsto no Projeto de Pesquisa "A poética de Luiz Vilela", as atividades do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela - GPLV - passam, no último biênio de 2012, por análise de um avaliador externo. O perfil do analista é o de um professor doutor na área de literatura com experiência no estudo de acervos literários e de fortuna crítica.

A avaliação verificará o desenvolvimento, a pertinência, a constância e a qualidade das atividades do Grupo, desde o início das ações inerentes ao Projeto de Pesquisa que previa a criação do Grupo de Pesquisa Luiz Vilela. O GPLV foi oficialmente fundado em maio de 2011, conforme ata disponível aqui.

Aavaliação verificará, ainda, se a coleta de acervo de e sobre Luiz Vilela, disponíveis nas diversas abas do blog, foram feitas de modo criterioso, se as fontes foram devidamente conferidas e referenciadas, se as informações publicadas respondem a critérios de relevância e se foram coligidas com adequado processo metodológico-científico.

Tal avaliação, institucionalmente desejada e prevista, se deve também ao fato de que é necessário extremo cuidado na pesquisa acadêmica, uma vez que as informações constantes na internet são, na maior parte das vezes, inconfiáveis. Para o trabalho acadêmico se exige rigor, metodologia teórica adequada, princípios republicanos e atuação ética — e também isso o verificador externo avaliará. 

O Grupo de Pesquisa Luiz Vilela é certificado pela UFMS e está registrado no CNPQ, conforme aqui. A última atualização foi em 30 de julho de 2012, e nela consta a seguinte informação quanto às repercussões do trabalho do GPLV:

Cinco pesquisas de mestrado em andamento, sendo quatro no Mestrado em Letras da UFMS, câmpus de Três Lagoas, e uma no Mestrado em Estudos de Linguagens, cidade universitária da UFMS, Campo Grande. Uma nova pesquisa iniciando no Mestrado de Campo Grande. Integrantes do Grupo apresentaram comunicações em diversos eventos ao longo de 2011 e de 2012, preparam o lançamento de um livro, com uma longa entrevista com Luiz Vilela, para lançá-lo em 2012 ou em 2013, e publicaram artigos em periódicos e em Anais de evento. Laura Eliane de Magalhães Alvarez Delgado defendeu sua dissertação no início de 2012. Fabrina Martinez de Souza, que participou do Grupo no segundo semestre de 2011 e no primeiro de 2012, deixou, a pedido, o Grupo. O blog do Grupo (gpluizvilela.blogspot.com) é constantemente atualizado, e o repositório da Fortuna Crítica do escritor mantido pelo GPLV, em < http://gpluizvilela.blogspot.com/p/fortuna-critica.html >, tornou-se fonte de consulta permanente para todos os estudiosos do Luiz Vilela, em particular, e de Literatura Brasileira Contemporânea, em geral.

À medida que tivermos laudos e pareceres da avaliação externa, eles serão publicados em novos posts do blog.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Umas palavras" entrevista Luiz Vilela

Em 2010, Luiz Vilela foi entrevistado pelo programa "Umas palavras", da TV Futura. Na apresentação, o programa destaca que Luiz Vilela nasceu em 1942, em Ituiutaba, Minas Gerais, cidade onde vive atualmente, e que é considerado um dos principais autores de sua geração. Veja a entrevista em: